O Exato Preço da Traição na Noite de NatalO milionário ficou paralisado ao reconhecer nos quatro rostos infantis o mesmo e inconfundível sorriso de seu falecido irmão gêmeo.7 min de lectura

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—Convidei-te para a ceia de Natal para que finalmente aceites que ficaste sozinha, Mariana. Já é tempo de deixares o passado para trás e vires como o resto de nós seguiu em frente.

Estas foram as primeiras palavras que Rodrigo Almeida lhe dirigiu por telefone após oito longos anos de silêncio absoluto. Mariana segurou o seu telemóvel de última geração junto à enorme janela do seu apartamento de luxo em Lisboa, no bairro do Chiado, observando o trânsito noturno como se pertencesse a outra dimensão. Não gritou. Não derramou uma única lágrima. Não lhe reclamou absolutamente nada. Já tinha gasto demasiada energia naquele cobarde com nome de família antigo.

Rodrigo continuou a falar desde a cidade do Porto, destilando aquela arrogância tão característica dos herdeiros que nunca trabalharam um único dia nas suas vidas.

—A minha mãe, Dona Beatriz, perguntou por ti. Diz que, por caridade cristã, seria um belo gesto fechar o ano sem ressentimentos na família. Além disso… já sabes como é, todos os meus primos e irmãos vão com as respetivas famílias e filhos. Não quero que te sintas mal se chegares sozinha à quinta. Sabemos que a vida não te deu esse privilégio.

Mariana esboçou um sorriso frio e calculista.

—Claro, Rodrigo. Que considerado és. Aí estarei.

Quando a chamada terminou, Mariana deixou o aparelho em cima da bancada de mármore da sua cozinha. A sua advogada penalista, que revia três processos à sua frente, ergueu o olhar por cima dos seus óculos de design.

—Estás completamente segura de fazer isto, Mariana? É meteres-te na toca do lobo.

—Aquele imbecil quer humilhar-me perante toda a alta sociedade de Foz do Douro — respondeu Mariana, servindo-se um copo de água. — Acredita piamente que vou chegar com as mãos vazias e o olhar baixo. Mas engana-se. Vou levar-lhe a verdade completa, embrulhada em papel de prenda.

Nesse preciso instante, a porta principal do apartamento abriu-se e quatro pequenos redemoinhos entraram a correr na sala, enchendo o espaço impecável de risos e caos.

—Mãe, já chegámos do treino!

Lá estava o Mateus, o mais velho por apenas dois minutos, sempre com o sobrolho ligeiramente franzido e protetor. O Diogo, mais reservado e observador, abraçando um caderno de esboços. A Carolina, uma menina de carácter explosivo, incapaz de tolerar uma única injustiça no recreio. E finalmente a Sofia, analítica, brilhante, com uma capacidade assustadora para ler as emoções dos adultos.

Os quatro tinham exatamente sete anos.
E os quatro partilhavam os inconfundíveis e intensos olhos verdes da dinastia Almeida.

Nessa mesma noite, enquanto jantavam, Mariana desligou a televisão e olhou para eles com profunda seriedade.

—Meninos, preciso da vossa atenção total. Temos de falar sobre os nossos planos para o dia 24 de dezembro.

Os quatro irmãos ficaram em silêncio de imediato.

—Vamos apanhar um voo para o Porto —continuou ela com voz firme—. Chegou o momento. Vão conhecer o vosso pai.

A Carolina apertou os punhos em cima da mesa.
—Estás a falar do homem que te abandonou quando ainda estávamos na tua barriga?

Mariana assentiu lentamente. O Diogo baixou o olhar para o seu prato.
—Ele sabe que nós existimos e que vamos a casa dele?

—Não, meu amor. Não tem a menor ideia.

O Mateus levantou-se da sua cadeira e colocou-se ao lado da mãe, cruzando os braços numa postura de defesa imprópria para um menino de sete anos.
—Não vou permitir que aquele senhor volte a fazer-te chorar, mãe.

Mariana abraçou-o com força, sentindo o coração a bater a mil por hora.
—Já não me pode magoar, Mateus. Agora somos cinco contra ele.

Enquanto preparava as malas nessa noite, Mariana repassava cada detalhe do seu plano. Ninguém na majestosa quinta dos Almeida imaginava a tempestade perfeita que estava prestes a desabar sobre as suas cabeças, e era absolutamente incrível o que estava prestes a acontecer…

A enorme propriedade dos Almeida, na exclusiva Foz do Douro, no Porto, parecia a capa de uma revista de luxo. Havia mais de mil luzes douradas a adornar as árvores do jardim, um presépio em tamanho real trazido de Itália, mesas repletas de bacalhau, doces conventuais, perus trufados e copos de cristal lapidado prontos para o vinho do Porto mais caro da região. Ao fundo, um grupo em vivo tocava canções natalícias tradicionais para animar a noite dos oitenta convidados, todos membros da elite portuense.

Dona Beatriz, a matriarca da família, caminhava entre as mesas com o seu casaco de pele, dando instruções severas.

—Ouçam-me bem todos — alertou as suas noras. — A Mariana vem hoje como uma obra de caridade do meu filho. Não quero que ninguém mencione a palavra “divórcio” nem faça perguntas incómodas sobre a sua solidão. A pobre mulher não nos pôde dar herdeiros e ficou arruinada. Temos de ter compaixão.

Mas Rodrigo não queria compaixão. Enquanto segurava a sua taça de champanhe, sorria com malícia. Queria vê-la entrar sozinha, derrotada, talvez vestida com roupa de saldo. Queria que todos os seus tios abastados e os seus primos bem-sucedidos confirmassem a mentira que ele tinha construído tijolo a tijolo durante oito anos: que Mariana era uma mulher estéril, instável, e que por isso o seu casamento se tinha desmoronado, obrigando-o a procurar a felicidade noutro lugar.

Eram exatamente onze da noite quando um estrondo ensurdecedor começou a vibrar nas janelas da sala principal. As taças tremeram sobre as mesas de vidro. Primeiro, os convidados pensaram que se tratava de um comboio de viaturas de segurança, mas o som vinha do céu. O vento começou a uivar, erguendo as toalhas de linho caras e fazendo voar os enormes laços vermelhos da decoração natalícia.

Todos os presentes saíram para o enorme jardim central, tapando os olhos.

Um helicóptero privado de cor preto mate, com luzes deslumbrantes, estava a descer precisamente no heliporto de relva da propriedade.

Rodrigo soltou uma risada nervosa, tentando não perder a compostura perante os seus sócios de negócios.
—Que exagerada é esta mulher. Sempre gostou de chamar a atenção para compensar as suas carências.

No entanto, a risada arrogante congelou-se-lhe no rosto quando a porta da aeronave se deslizou.

Mariana desceu primeiro. Não trazia roupa de saldo. Ostentava um espetacular casaco de designer cor branco-inverno, o cabelo perfeitamente penteado e, sobretudo, uma expressão de calma absoluta que irradiava um poder intimidante.

Mas ela não fechou a porta.

Atrás dela, desceu o Mateus, vestido com um fato à medida.
A seguir desceu o Diogo.
Depois apareceu a Carolina, com um vestido elegante e o queixo erguido.
E finalmente, a Sofia.

Eram quatro crianças. Quatro figuras idênticas de sete anos de idade, de mãos dadas, a caminhar atrás da mãe com uma segurança arrasadora. Olhavam para a imponente casa de granito não com espanto, mas com a fria avaliação de quem entra para reclamar um território que lhe pertence por sangue, embora os donos não o saibam.

Dona Beatriz deixou cair a sua taça de champanhe no chão de pedra.O cristal estilhaçou-se, mas ninguém prestou atenção ao ruído, pois todos os olhos estavam fixos nos quatro rostos pequenos que reflectiam, sob as luzes cintilantes da árvore de Natal, a inegável e ancestral herança Almeida.

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