Aquele em que um menino domina o touro indomávelCom uma calma que desmentia sua pouca idade, o garoto fitou o animal nos olhos e sussurrou palavras tão suaves que o gigante de ferro se dobrou como um cordeiro.5 min de lectura

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“Cem mil euros para quem conseguir domar este touro!” — exclamou o rico latifundiário, erguendo um envelope com dinheiro acima da cabeça… Todos os homens na multidão recuaram de imediato, até que um rapaz de quinze anos entrou na arena — e então, aconteceu algo que ninguém esperava 😳 😳

O pó suspenso no ar, o sol a bater forte, e nas bancadas, centenas de pessoas. Todos tinham vindo para o festival — música, comida, risadas… mas agora ninguém ria.

Lá estava ele, atrás do portão. O touro chamado Diabo.

Preto, enorme, pesando quase novecentos quilos. Os seus cornos curvados para a frente como facas cegas. Batia o casco no chão e respirava com fúria, como se procurasse alguém para despejar a sua raiva.

No último mês, já tinha mandado três homens para o hospital. Um ficou com um braço partido. O segundo perdeu duas costelas. O terceiro ficou quatro dias inconsciente e, quando acordou, nem o próprio nome lembrava.

Ninguém queria ser o próximo.

O latifundiário, conhecido na região como Senhor Mateus, comprara aquele touro há três anos. Era suposto ser um animal de criação comum, mas desde o início algo correu mal. O touro não estava ferido nem doente. Estava apenas zangado. Sempre.

O Senhor Mateus tentou de tudo. Trouxe treinadores, chamou veterinários, chegou a pagar a um homem de Portugal que garantiu conseguir acalmar qualquer animal. Esse não durou no curral mais de quinze segundos.

Depois disso, o Senhor Mateus desistiu de o domar e apenas reforçou a cerca. Agora decidira fazer um espetáculo.

Estava numa plataforma de madeira, segurando um envelope gordo de dinheiro e observando a multidão com um sorriso ligeiro.

— Cem mil euros a quem o fizer obedecer.

A multidão murmurou. Alguns homens deram um passo à frente, mas quando o portão começou a abrir e o touro entrou lentamente na arena, todos recuaram imediatamente.

Ele caminhava com peso, confiante, a cabeça baixa. Os músculos moviam-se sob a pele, e os cascos deixavam marcas fundas na terra seca.

Ninguém se mexia. Foi nesse momento que o rapaz avançou.

Não teria mais de quinze anos. Magro, com roupa velha, descalço. Parecia ter vindo não pelo espetáculo, mas por estar a passar.

As pessoas começaram a rir.

— Leva-o daqui!

— Ele nem vai chegar ao portão!

Mas o rapaz não ouviu. Caminhava calmamente para a frente. O Senhor Mateus franziu a testa.

— Ao menos sabes o que estás a fazer? — gritou ele.

O rapaz parou por um instante, mas não se virou.

— Sei — respondeu baixinho.

E continuou. Quando a distância entre ele e o touro ficou pequena, as bancadas emudeceram de tal forma que se ouvia o vento a correr o pó pelo chão. O touro ergueu a cabeça de repente. Viu o rapaz. Bufulhou. E disparou em frente.

Alguém gritou. As pessoas levantaram-se.

E então aconteceu algo que deixou toda a multidão em completo terror 😱 😳 A continuação desta história pode ser encontrada no primeiro comentário 👇

Mas o rapaz não correu. Ficou ali parado.

No último instante, quando o embate parecia inevitável, ele deu um passo à frente… e ergueu a mão.

Não de forma brusca. Não com medo. Devagar.

O touro travou de repente. Mais um passo… mais outro…

E parou mesmo à sua frente. A multidão ficou gelada.

O rapaz deu mais um passo e tocou-lhe na testa. O touro expirou com força… e baixou a cabeça. Nas bancadas, ninguém acreditava no que via.

O Senhor Mateus desceu da plataforma e aproximou-se. Olhava sem pestanejar.

— Como é que fizeste isto?… — perguntou ele.

O rapaz passou a mão pela cabeça do touro e só depois ergueu os olhos.

— Ele não é mau — disse com calma. — Está apenas com medo.

O Senhor Mateus franziu a testa.

— Medo de quê?

O rapaz calou-se por instantes.

— De si — respondeu baixinho.

A multidão voltou a agitar-se.

— Isso não tem sentido — disse friamente o Senhor Mateus. — Este touro quase matou pessoas.

O rapaz abanou a cabeça.

— Tirou-o da mãe demasiado cedo. Ele sempre esteve sozinho. Batia-lhe quando não obedecia. Foi o senhor que o fez assim.

As palavras pairaram no ar. Ninguém falava. O Senhor Mateus apertou o envelope na mão.

— Como é que sabes isso?

O rapaz olhou para o touro. Depois novamente para ele.

— Porque eu vi quando o levou.

O Senhor Mateus empalideceu.

— Quando?…

O rapaz deu um passo atrás, mantendo a mão sobre a cabeça do touro.

— Há três anos — disse com serenidade. — A herdade era do meu pai.

O silêncio tornou-se pesado.

— O senhor disse que ele não valia nada… — continuou o rapaz. — E mesmo assim, levou-o por quase nada.

O touro bufulou suavemente, como se reconhecesse a voz.

— O meu pai morreu um ano depois — acrescentou o rapaz. — E ele… ficou aqui.

Ninguém se mexia.

O Senhor Mateus baixou lentamente o envelope.

— E o que queres agora? — perguntou ele, já com outra voz.

O rapaz olhou para o touro. Acariciou-o mais uma vez. E disse tranquilamente:

— Não vim pelo dinheiro.

Fez uma pausa.

— Vim para levá-lo para casa.

E nesse momento ficou claro porque é que o touro mais perigoso da província, pela primeira vez desde sempre… estava ali calmo.

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