Um Homem Rico Congela ao Ver um Operário Idêntico à Filha Desaparecida Há Anos…3 min de lectura

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Se chegaste aqui pelo Facebook à espera de descobrir o que realmente aconteceu ao Roberto e à estranha operária cujos olhos eram iguais aos da sua filha desaparecida, respira fundo. O que se segue é mais sombrio, mais doloroso e muito mais enrolado do que qualquer um podia imaginar.

Isto não é uma história simples.

Dobra-se, parte-se e recusa-se a deixar-te ir.

**O Capataz Escondia Algo**

O capataz do estaleiro avançou furioso na nossa direção, o rosto vermelho como um tomate.

“Sr. Mendes! Afaste-se dessa rapariga imediatamente!”

Virei-me, estupefacto. As mãos da Leonor ainda estavam nas minhas.

“Ela é problema”, rosnou ele. “Está aqui há menos de uma semana e já está a arranjar confusão. Não tem direito a incomodar os investidores!”

A Leonor soltou-se de um puxão, o corpo todo a tremer.

“Eu não fiz nada de mal, Sr. Artur”, disse, a voz a falhar. “Foi ele que me agarrou.”

Algo rebentou dentro de mim—algo que não sentia desde o dia em que a Sofia desapareceu.

“Olhe para o que diz”, disse com firmeza. “Não fala assim com ela. Ela não fez nada.”

O capataz olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido.

“Com todo o respeito, senhor”, escarneceu, “o senhor não conhece esta gente. Aparecem do nada, sem documentos, sem passado, contam histórias para ganhar compaixão.”

As palavras dele atiçaram a minha raiva—mas também me deixaram uma pontinha de dúvida.

Sem documentos?

Olhei novamente para a Leonor. Ela mantinha os olhos no chão, mas o medo era inconfundível. Não o medo de perder o emprego—algo mais profundo.

“Onde moras?”, perguntei baixinho.

Ela hesitou, mordendo o lábio.

“Num… quarto alugado. Na Amadora.”

“Com quem?”

“Com a minha avó.”

“E os teus pais?”

O maxilar dela apertou. Uma única lágrima escorreu-lhe pela face suja de pó.

“Não os conheço, senhor. A avó diz que me deixaram quando eu era bebé.”

O mundo inclinou-se.

Bebé.

Abandonada.

Avó.

As peças estavam a formar uma imagem que eu não queria ver.

“Quantos anos tens?”

“Vinte e três… acho. A avó não tem certeza.”

Vinte e três.

A Sofia teria vinte e três.

O capataz bufou, impaciente.

“Sr. Mendes, isto é ridículo—”

“Chega!”, gritei. “Está despedido. Imediatamente. Saia.”

Ele empalideceu. Abriu a boca para discutir, mas pensou melhor. Afastou-se resmungando baixinho.

Quando ficámos sozinhos—tão sozinhos quanto se pode estar com dezenas de operários a observar—baixei-me até à altura da Leonor.

Ela encolheu-se.

“Eu não te vou magoar”, disse com suavidade. “Só preciso que me ouças. Há vinte anos, a minha filha desapareceu. Chamava-se Sofia. Tinha três anos. Tinha os teus olhos. E três sinais no pescoço—exatamente aqui.”

Apontei para o local.

A Leonor levou instintivamente a mão ao pescoço.

“Muita gente tem sinais”, sussurrou.

“Não como os dela”, respondi. “Formavam um triângulo perfeito. A minha mulher chamava-lhes ‘o Cinturão de Orion’.”

A respiração dela cortou-se.

“A minha avó…”, murmurou. “Ela sempre disse que as minhas sardas eram especiais. Um sinal do céu.”

O meu peito pareceu partir-se ao meio.

“Posso vê-los?”

Ela hesitou. Depois, devagar, soltou o casaco e puxou a gola da blusa.

E lá estavam.

Três pontinhos escuros.

Perfeitamente alinhados.

As estrelas de Orion.

As minhas pernas falharam. Caí na lama, a chorar como não chorava desde o enterro da minha mulher.

“És tu”, soluçE no momento em que a avó Mercedes confessou, entre lágrimas, que encontrara a pequena Sofia abandonada numa estação de comboios em Lisboa, percebi que a verdade, por mais dura que fosse, finalmente nos libertaria a todos.

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