Rico volta após anos para reencontrar ex-mulher e fica chocado com o que descobre3 min de lectura

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Há muito tempo, na pacata vila de Monsanto, um homem regressou após largos anos para reencontrar a mulher que outrora deixara. Quem diria que o destino lhe reservava uma lição que nenhuma fortuna poderia comprar.

António Mendes desceu do seu carro de luxo e ficou petrificado diante da pequena casa de xisto. As flores que trazia pareciam agora uma ironia do destino. Telhas partidas, paredes descascadas, um alguidar a recolher a água da chuva — ali estava tudo o que ele prometera e nunca cumprira.

Dezoito anos antes, jurara a Leonor Almeida que voltaria rico, ergueria uma casa digna e garantiria o futuro dos filhos que ainda nem sonhavam existir. Partira com um “volto já”, mas os dias viraram anos, e o silêncio pesou mais que o arrependimento.

Quando bateu à porta, ela abriu depressa, como quem teme perder uma rara visita. Leonor surgiu, curvada sobre uma bengala de madeira, o cabelo grisalho preso num lenço, o rosto marcado pelo sol. A voz era a mesma, só que mais cansada.

“Quem procura, senhor?”

António engoliu em seco. “A Dona Leonor… conhece?”

“Sou eu. Já nos cruzámos?”

Ele percebeu então: ela mal conseguia vê-lo. Cobarde, inventou: “Chamo-me João, cheguei há pouco.”

Puxou-o para dentro com a delicadeza de quem ainda acredita na bondade alheia. O chão de terra batida estava varrido, mas irregular. De repente, apareceu uma rapariga de olhos verdes, desconfiados. “Mãe, quem é?” Era Carolina, com o mesmo queixo dele. Atrás dela, um menino de dez anos correu, segurando desenhos.

“Parece o homem que eu desenho”, disse Tiago, apontando para a figura de traje no papel.

Leonor riu, sem notar o nó na garganta de António. “O meu marido partiu para ganhar a vida. Desde então, apertámos o cinto.”

“Há quanto tempo?”, perguntou ele, sem fôlego.

“Dezoito anos.” Leonor suspirou. “Nunca mais soube dele. Mas eu sempre rezei a Nossa Senhora para que protegesse o António e o trouxesse de volta.”

O copo lascado tremeu-lhe nas mãos. Antes que se confessasse, a porta rangeu e entrou o velho Amadeu com ferramentas. O ancião parou, olhou fixamente. “António Mendes… és tu?”

O silêncio cortou a sala. Carolina deixou cair a cadeira. Tiago soltou os desenhos. Leonor virou a cabeça, tentando ouvir melhor. “António?”

“Sou eu”, murmurou ele.

Carolina não se conteve: “Sabes o que foi ver a minha mãe a trabalhar até quase ficar cega? Sabes o que é a fome disfarçada de ‘não tenho apetite’?”

António não teve resposta. Apenas a verdade. “Tive vergonha. E a vergonha transformou-se em cobardia.”

Leonor ergueu a bengala. “Vai-te embora hoje. Se quiseres voltar amanhã, volta como homem simples. Sem encenações. Vem para ouvir.”

No dia seguinte, regressou de calças de ganga, sem flores. Subiu ao telhado com o velho Amadeu, arranjou as telhas, suou, sangrou. À noite, alugou um quarto na casa da Dona Alice e aprendeu que nem tudo se compra com dinheiro.

As semanas tornaram-se meses. Organizou os bordados de Leonor para que ela os vendesse a preço justo, e pagou a consulta aos olhos como “doação anónima”. Quando a clínica ligou, Leonor perguntou: “Porquê?”

“Porque não posso voltar atrás no tempo”, respondeu ele, “mas posso escolher não ser indiferente hoje.”

Um dia, a antiga empresa chamou. Crise. Contrato. Ele foi e regressou antes do jantar, mesmo perdendo milhões. Tiago sorriu: “Voltaste.”

Leonor ainda temia. Carolina ainda testava. Mas António aparecia todos os dias, mesmo nos mais difíceis. Até que, numa noite tranquila, Leonor sussurrou: “Podemos tentar outra vez… devagar.”

E ele compreendeu, finalmente: riqueza não é ostentação. É a constância de estar presente.

“Se acreditas que nenhuma dor é maior que a misericórdia de Deus, comenta: EU CREIO! E diz também: de que terra nos estás a ver?”

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