Ora então, ouve esta história que te vou contar, parece coisa de filme. A Capitã da PSP, Beatriz Silva, estava a caminho de casa num táxi. O motorista não fazia ideia de que a mulher que levava no banco de trás não era uma passageira qualquer, mas uma oficial de alta patente da cidade.
A Beatriz vestia um simples vestido vermelho e parecia uma civil comum. Estava de folga, a caminho de casa para o casamento do irmão. Decidiu que iria não como capitã, mas simplesmente como irmã. A caminho, o motorista comentou:
—Minha senhora, vou por este caminho para si. Senão, quase nunca uso esta estrada.
A Capitã Beatriz Silva perguntou ao taxista:
—Mas porquê, meu amigo? O que tem esta estrada?
O taxista respondeu:
—Minha senhora, há sempre agentes nesta zona. O sargento que por aqui anda multa sem razão e extorque os taxistas mesmo quando não cometemos nenhuma infração.
E se alguém se opuser, leva porrada. Não sei o que me espera hoje. Deus me livre de cruzar-me com esse sargento agora, senão vai sacar-me dinheiro sem eu ter culpa nenhuma.
A Capitã Beatriz pensou: “Será que é verdade o que este taxista está a dizer? O sargento desta esquadra faz mesmo estas coisas terríveis?”
Após uns metros, avistou o Sargento Tiago Mendes na berma da estrada com colegas, a fazer operação stop. Mal o táxi se aproximou, o Sargento Tiago fez sinal para parar.
Depois, o Sargento Tiago disse com raiva:
—Então, seu taxista, saia do carro. Acha que a estrada é sua, a conduzir a essa velocidade? Não tem medo da lei? E pague já uma multa de 500 euros.
Dito isto, o sargento pegou no seu livro de multas. O motorista, o Miguel, ficou agitado e disse:
—Ó patrão, eu não fiz nada de errado. Porque é que me vai multar? Por favor, não faça isso. Não tenho culpa nenhuma e neste momento não tenho dinheiro. Onde é que vou arranjar 500 euros?
Ao ouvir isto, o Sargento Tiago ficou ainda mais furioso. Ergueu a voz.
—Não discuta comigo. Se não tem euros, então conduz o táxi de graça? Despache-se, tire a sua identificação e a da viatura. Isto é um táxi roubado?
O condutor tirou rapidamente todos os documentos e mostrou-os. Estava tudo em ordem. Mas o Sargento Tiago insistiu:
—A papelada está em ordem, mas mesmo assim tem de pagar a multa. Dê-me 500 euros agora, ou pelo menos 300, senão apreendo o táxi já.
Perto dali, a Capitã Beatriz Silva observava e ouvia com atenção. Viu o Sargento Tiago Mendes a importunar um pobre taxista, trabalhador, sem razão nenhuma, tentando extorqui-lo.
Apesar de estar zangada, manteve a calma para perceber primeiro toda a verdade e depois agir no momento oportuno.
O taxista disse ao Sargento Tiago:
—Ó agente, onde é que eu vou arranjar tanto dinheiro? Só ganhei 50 euros hoje. Como é que lhe posso dar 300? Por favor, deixe-me ir, senhor doutor. Deixe-me seguir. Tenho filhos pequenos. Sou pobre. Trabalho o dia todo para alimentar a minha família. Por favor, tenha piedade de mim, senhor.
Mas o Sargento Tiago não mostrou nenhuma piedade. Explodiu de raiva. Agarrou o condutor pelo pescoço, empurrou-o com força e gritou:
—Se não tem euros, então porque é que conduz um táxi? A estrada é do seu pai, para ter de ir tão depressa? Além disso, está a discutir comigo. Venha, vamos divertir-nos na esquadra.
Ao ouvir isto, a Capitã Beatriz não se conseguiu conter. Imediatamente avançou, colocou-se à frente do sargento e disse:
—Sargento, está a fazer algo completamente errado. Se o motorista não fez nada de errado, porque é que o está a multar? Além disso, agrediu-o fisicamente. Isto é uma violação da lei e dos direitos civis. Não tem o direito de oprimir um cidadão comum assim. Deixe-o ir.
O Sargento Tiago Mendes já estava furioso. Ao ouvir as palavras da Beatriz, ficou ainda pior. Disse, com sarcasmo:
—Ah, então agora é você que me vai dar lições de lei. Tem muita lata. Parece que também vai ter de provar a cela. Lá dentro. Os dois vão ficar juntos na prisão. Lá pode falar à vontade.
O rosto da Beatriz ficou vermelho de raiva, mas ela controlou-se. Queria ver até onde este sargento iria. O Sargento Tiago não fazia ideia de que a mulher vestida de forma comum à frente dele não era uma mulher qualquer, mas a capitã da PSP da cidade, Beatriz Silva. O Tiago Mendes ordenou aos seus colegas:
—Venham, levem-nos para a esquadra. Vamos ver o que valem lá.
Imediatamente, dois agentes avançaram e prenderam o motorista e a Capitã Beatriz. Ao chegar à esquadra, o Sargento Tiago declarou:
—Ponham-nos ali. Agora, vamos ver o que estes dois têm a dizer. Temos de lhes mostrar onde é.
Os agentes obrigaram-nos a sentar num banco. Mal o Tiago Mendes se sentou, recebeu uma chamada no telemóvel. Atendeu e disse:
—Sim, o seu assunto vai ficar tratado. Dessa forma, o seu nome não aparece. É só ter o meu pagamento pronto. Não se preocupe. Eu trato de tudo.
A Capitã Beatriz Silva e o taxista ouviram tudo. A Beatriz pensou: “Este sargento não se fica por importunar pessoas na rua. Também aceita subornos de dentro da corporação para tratar de assuntos.”
Está a enganar pessoas comuns. A Beatriz conteve a sua raiva. Sabia que zangar-se naquele momento não ia adiantar nada. A batalha real tinha de ser travada com provas e o procedimento correto para que toda a polícia e a cidade vissem.
Estava a pensar em como o expor à frente de todos. Sentado ao seu lado, o taxista, o Miguel, estava preocupado. Pensava na sua casa e nos seus filhos. A Beatriz olhou para ele e disse calmamente:
—Não tenhas medo. Este sargento não te pode fazer nada. Estou contigo. Vi tudo e vou revelar. Não te preocupes, a culpa não é tua. Estás seguro. Eu não sou uma mulher comum.
Sou a Capitã da PSP Beatriz Silva. Estou a expor toda a corrupção deste sargento. É por isso que estou a observar tudo em silêncio agora. Depois, vou esclarecer tudo e mostrar a todos como ele é realmente.
Ao ouvir isto, o taxista sentiu um certo alívio. Respirou fundo e disse:
—É mesmo capitã, minha senhora? Mas quando isto tudo me estava a acontecer, porque é que não disse nada? Porque é que não me salvou? Não estará metida nisto, pois não? Ou tem alguma coisa a ver com eles?
O condutor ficou um pouco agitado. A Beatriz acalmou-o.
—Não, não tenho nada a ver com eles. Estou só aqui, calada, para expor este sargento. Estou só a ver quantas ilegalidades este homem ainda pratica. É por isso que me estou a calar por agora. Se quisesse, podia fazê-lo ser preso já. Espera só um bocado e vais ver o que lhe faço.
Passado um bocado, o Sargento Mendes entrou no seu gabinete. Depois chamou um agente e disse:
—Traze-me aquele taxista.
O agente saiu imediatamente e disse ao condutor:
—O chefe está a chamar-te para te chatear.
Ao ouvir isto, o condutor ficou assustado. Mas a Beatriz pegou-lhe no braço e disse:
—Não te preocupes. O que quer que aconteça, eu trato disso.
Ele aproximou-se do sargentoO motorista aproximou-se, o coração a bater com força, enquanto a Beatriz observava, imóvel, os seus olhos fixos no sargento que, sem saber, estava a selar o seu próprio destino.





