O Preço da ArrogânciaUma risada estrondosa tomou conta do corredor, mas foi silenciada instantaneamente quando o corpo do valentão se espatifou contra o chão, quebrado pela força invisível de seu próprio ódio refletido de volta sobre ele.3 min de lectura

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O pavilhão desportivo da escola era um caos de vozes: gritos, risadas, sussurros abafados. Os estudantes formavam uma roda apertada; quase todos seguravam os telemóveis. Ninguém queria perder o “espetáculo”.

No centro estava Inês.
Pequena, magrinha, com um capuz enorme puxado sobre a cabeça. A mesma rapariga que quase sempre passava despercebida. Sentava-se sempre na última fila, nunca discutia e tentava tornar-se invisível.

Mas naquele dia não resultou.
À sua frente estava ele: o aluno mais popular da escola. Capitão da equipa de futebol. O favorito dos professores. O valentão de quem todos preferiam manter distância.

Ele sorriu com um ar de desdém.

— Então a sabichona apareceu? — disse em voz alta, certificando-se de que todos ouviam. — Decidiste fazer-me de parvo?

Inês apertou as mãos dentro dos bolsillos. Os dedos tremiam-lhe.
— Só respondi à pergunta do professor — sussurrou, com voz baixa.

Alguém se riu no pavilhão.
— Sabias perfeitamente o que estavas a fazer — deu mais um passo para a frente. — Por tua causa, fiz figura de idiota à frente de toda a equipa.

Plantou-se diante dela como um muro. A diferença de estatura era intimidatória.
— Eu não quis… — murmurou Inês.

— Não quiseste? — inclinou-se até ficar a centímetros do seu rosto. — E agora? Queres? Queres pedir desculpa?

A multidão ficou em silêncio.
— Ajoelha-te — disse com calma. — E pede desculpa.

Um murmúrio percorreu o círculo. Alguns já sorriam, à espera do desfecho.
Inês baixou a cabeça. Por um instante, todos pensaram que ela ia ceder. Que ia mesmo obedecer.

Mas nenhum deles sabia quem ela era na realidade. Nem o preço que se iria pagar por aquela “brincadeira”.

Inês dedicara vários anos da sua vida ao boxe. Fora campeã nacional e estava habituada a treinos intensos, a golpes e a uma disciplina feroz.

Devido a uma lesão grave, teve de abandonar o desporto e, desde então, procurava não chamar a atenção e manter-se longe de conflitos.

Respirou fundo e pediu ao agressor que se afastasse. Ele riu-se e tentou empurrá-la com o ombro, convencido de que ela nada faria.

Inês reagiu no instante seguinte. Saiu da linha de ataque e desferiu um soco curto e preciso ao corpo, exactamente como aprendera nos treinos.

O rapaz perdeu o equilíbrio e dobrou-se de dor. Quando tentou endireitar-se, Inês atingiu-o com um segundo golpe no queixo, controlando a força e sem exceder os limites.

O valentão caiu redondo no chão do pavilhão, atordoado e incapaz de perceber o que acontecera. Um silêncio absoluto caiu sobre o recinto, pois ninguém esperava um desfecho daqueles.

Inês olhou para ele e disse com serenidade:

— Deixei o boxe por causa de uma lesão, mas as habilidades não desapareceram.

Após essas palavras, Inês virou-se e saiu do pavilhão.

Ninguém tentou detê-la. As risadas calaram-se, os telemóveis baixaram-se. Ficou claro para todos que a calma e a modéstia por fora não significam fraqueza, e que alguém que foi subestimado durante tanto tempo pode revelar-se o mais forte.

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