O Motoclube Mais Temido dos EUA Apareceu no Funeral da Garota Sozinha – O Que Fizeram no Túmulo Vai Te Comover6 min de lectura

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Capítulo 1: A Menina do Casaco Cor-de-Rosa
A chuva finalmente parara, deixando para trás um céu cinzento e opressivo que parecia esmagar a relva bem cuidada do Cemitério da Lapa. Era terça-feira, um dia comum e esquecível, em que o mundo seguia seu rumo, alheio ao fato de um universo inteiro ter acabado de desmoronar.

No fundo do cemitério, na secção dos “indigentes”, perto do muro que abafava o ruído da autoestrada, um único serviço funerário chegava ao fim. Era pateticamente breve. Não havia filas de familiares chorando, nem colegas abrigados sob guarda-chuvas negros a compartilhar memórias. Não havia coro a entoar hinos sobre partir em paz.

Havia apenas um caixão de pinho, a opção mais barata que a câmara municipal podia oferecer, e uma pequena figura ajoelhada na lama.

O nome dela era Leonor Almeida. Tinha seis anos.

Vestia um casaco cor-de-rosa já demasiado curto para ela, com as mangas subindo pelos antebraços, e agarrava uma mochila com um unicórnio desenhado. As cores vibrantes do seu equipamento pareciam violentas e deslocadas contra a terra escura e húmida da sepultura recente.

Leonor era a única pessoa presente.

O ar cheirava a asfalto molhado e ao perfume artificial dos lírios baratos que a funerária providenciara por pena. Leonor detestava aquele cheiro. Cheirava a hospital. Cheirava ao fim.

Marta Almeida, mãe de Leonor, fora uma lutadora. Trabalhara como empregada de mesa no “Tasquinha do Zé”, uma casa de pasto modesta e desgastada junto à EN10, que servia petiscos a qualquer hora e não fazia perguntas. Marta fazia turnos duplos, os pés inchados dentro de sapatos confortáveis, o cheiro a alho e a café queimado impregnado na roupa. Tinha um sorriso que desarmava até o camionista mais rabugento e uma língua afiada que calava o cliente mais bêbado.

Mas sorrisos e piadas não curam cancro do ovário em fase terminal. E as gorjetas não pagam quimioterapia quando não há seguro de saúde.

Marta lutara. Meu Deus, como lutara. Não por ela — os seus próprios sonhos já se haviam perdido há muito — mas por Leonor. Não tinha família. Nenhum pai ou mãe a quem ligar. Nenhum irmão em quem se apoiar. Fora uma criança do sistema que cresceu num lar de acolhimento, determinada a quebrar o ciclo.

Quando o cancro finalmente venceu, levou tudo consigo. As poupanças dissiparam-se em comparticipações farmacêuticas. O apartamento foi perdido quando as rendas deixaram de ser pagas. E agora, Marta partira.

Leonor ajoelhava-se na lama, sentindo o frio a penetrar pelas calças. Não chorava alto. Isso era quase pior. Limitava-se a olhar para a caixa que guardava a única pessoa no mundo que alguma vez a abraçara.

Lembrava-se das últimas palavras que a mãe sussurrara no leito do hospital, a pele pálida e frágil como papel. “Sê corajosa, minha flor. Sê corajosa. Eu não te vou deixar. Só… vou para a sala ao lado.”

Mas esta sala era fria. E ficava debaixo da terra.

Capítulo 2: A Terra que Treme
O Padre António, um homem que já realizara demasiados destes funerais solitários, sentiu o nó habitual a apertar-lhe o estômago. Ajustou os óculos de aros finos, as gotas de água a embaciar-lhe a visão, e olhou para a criança.

Odiava esta parte. Mais do que os elogios fúnebres, mais do que os enterros. Odiava o vazio deixado por quem morrera sem amor.

“Leonor?”, disse o padre, suavemente.

A menina não se mexeu. Tinha um papel na mão, ensopado pela chuva, as cores a esborratarem-se, mas ainda era possível distinguir o desenho a lápis de cera. Dois bonecos de traços simples. Um grande, outro pequeno. Um sol amarelo a sorrir.

“Leonor, querida”, tentou novamente o padre, aproximando-se, as botas negras a enterrarem-se na lama. “O serviço acabou. Temos de ir. Não podes ficar aqui.”

Leonor ergueu os olhos. Estavam vermelhos, cavados por uma dor demasiado grande para o seu corpo pequeno. O rosto estava sujo, onde limpara as lágrimas.

“Não posso deixá-la”, murmurou, a voz rouca e quebrada. “Ela tem medo do escuro, Padre. Disse-mo uma vez. Odeia o escuro. Tenho de esperar até ela adormecer.”

O padre sentiu o coração a rachar-lhe no peito. Olhou para o diretor da funerária, um homem alto e magro que consultava o relógio junto do carro funerário. O homem abanou a cabeça, triste, e apontou para o pulso. Era hora de ir.

Depois, fez o gesto. A mão junto ao ouvido. Faça a chamada.

O Padre António sabia o que aquilo significava. Não havia família. Nenhum contacto de emergência nos formulários do hospital. O senhorio já mudara as fechaduras do apartamento.

O próximo passo era obrigatório. Burocrático. Cruel.

Tinha de ligar à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

Tinha de entregar aquela menina de seis anos ao sistema. Sabia como funcionava. Uma assistente social chegaria num carro bege. Tirariam-lhe a mochila cor-de-rosa. Colocá-la-iam numa instituição, provavelmente sobrelotada, provavelmente temporária. Tornar-se-ia um número num processo, perdida no mesmo sistema que falhara com a sua mãe.

“Leonor”, disse o padre, a voz a tremer ligeiramente. Meteu a mão no bolso para pegar no telemóvel. “Preciso de ligar a algumas pessoas que vão ajudar-te. Está bem? Têm um sítio quente para dormires.”

“Não”, respondeu Leonor, levantando-se, o pânico a brilhar-lhe nos olhos. Recuou em direção à campa, colocando-se entre o padre e a sepultura da mãe. “A mãe disse que viriam amigos. Prometeu. Disse que tinha amigos.”

O padre suspirou, esfregando o rosto. “Querida, ninguém vai vir. Já passou uma hora. Somos só nós.”

Marcou o número. 800…

Estava prestes a pressionar o botão verde quando o sentiu.

A princípio, pensou ser um camião a passar demasiado perto na autoestrada. Uma vibração baixa, rítmica, nas solas dos pés.

Tum-tum. Tum-tum.

Mas depois, a água numa poça suja perto da campa começou a ondular. Círculos a vibrar.

A vibração intensificou-se. Não era o ruído caótico de um camião. Era um rugido gutural, sincronizado. Cada vez mais alto.

O diretor da funerária deixou de olhar para o relógio. Ergueu o olhar, os olhos a alargarem-se, a percorrer o horizonte cinzento em direção ao portão do cemitério.

“Isto é… um trovão?”, perguntou, a voz tensa.

“Não”, sussurrou o padre, baixando o telemóvel, o ecrã ainda aceso com a chamada por fazer. “Não é um trovão.”

O som explodiu no cemitério. Era o rugido de motores. Motores grandes, a gasolina. Não um ou dois. Dezenas deles.

O chão tremeu. Os vitrais da capela do cemitério estremeceram nas molduras. Os pássaros nas árvores voaram**”…E, à medida que o sol começava a despontar por trás das colinas, Bear apertou suavemente a mão de Leonor, prometendo-lhe que, enquanto ele respirasse, ela nunca mais estaria sozinha.”**

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