O Chefe Riu da ‘Novata’ — Mas Ela Provou Quem Manda4 min de lectura

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“Achas que agora mandas?” gritou o Chefe Monteiro, com risadas ecoando pelas paredes do refeitório.

Os garfos pararam no ar. Todos os homens à mesa viraram-se para a única mulher de pé à frente dele — a Capitão-de-Mar-e-Guerra Inês Ventura.

Ela não vacilou. Nem pestanejou. Apenas cruzou os braços, olhos fixos, lábios cerrados.

O ambiente ficou tenso. Alguns sorriram. Outros riam, nervosos. Uns recostaram-se, curiosos para ver até onde isto ia.

Monteiro — um veterano das Operações Especiais da Marinha, forte como um touro — inchou o peito como um gorila. Toda a gente sabia que o seu ego era tão grande como a sua voz, mas ninguém imaginava que a desafiasse assim, em público.

Inês acabara de chegar para um almoço tardio. Nem sequer pegara no garfo quando ele decidiu pô-la à prova. Há semanas que a base murmurava sobre uma “oficial promovida a turbo” vinda do Estado-Maior. Ninguém esperava que fosse tão jovem — ou mulher.

Ela pousou a bandeja e falou com calma:
“Não acho que mando. Mando.”

A gargalhada de Monteiro fez tremer os vidros.
“Ouviram, rapazes? Ela manda! O quê — trataste de papeis em Lisboa e achas que isso vale alguma aqui?”

As risadas espalharam-se pela sala como rajadas de metralhadora. Mas Inês não levantou a voz.
Apenas esticou o braço, arrancou o distintivo do seu uniforme e ergueu-o bem alto.

Estrela de Prata. Duplas Folhas de Carvalho. Insígnia de Comandos.
E, por cima de tudo — um emblema que nenhum deles esperava.

“Comando Operacional Especial,” disse, a voz cortando o barulho como uma faca. “Foi a eles que prestei contas no mês passado. Foram eles que me promoveram. Efectivo desde sexta.”

Deu um passo em frente.
“Não sou só a vossa nova segunda-comandante,” continuou. “Tenho patente superior a todos nesta sala.”

O sorriso de Monteiro esmoreceu.
“Isso é mentira.”

“Vê o comunicado,” respondeu Inês, apontando para o quadro de ordens atrás dele. “Assinado e carimbado esta manhã. Podes chamar-me ‘minha capitão’… ou calar-te e ouvir. Mas da próxima vez que eu entrar, vais fazer continidade.”

O silêncio engoliu o refeitório.

Até que — um Comando lá atrás levantou-se. Firmou-se em posição.
Outro seguiu-o. Depois outro.

Um a um, todos os homens da sala, endurecidos pela guerra, endireitaram-se, vergonha e respeito misturando-se nos rostos.
Até Monteiro se levantou, o maxilar apertado, o orgulho rachado enquanto a mão subia à testa.

Inês não retribuiu a continência. Apenas manteve o seu olhar até o braço dele cair — depois virou-lhe as costas.

O que eles não sabiam era por que razão ela tinha sido escolhida para o posto.

Seis anos antes, em Bissau, Inês Ventura era uma médica de combate.
A sua equipa foi emboscada numa operação nocturna que correu mal.
O seu comandante levou um tiro na garganta; três homens caíram em segundos.

Rastejando entre estilhaços e fumo, Inês arrastou um homem para cobertura, fez um torniquete noutro — e fez uma cricotireoidotomia no meio do fogo para salvar o seu comandante.
Ganhou a primeira Estrela de Prata naquela noite.
Quando a evacuação chegou, recusou-se a embarcar.
“Ainda há um coração que não verifiquei,” dissera.

Aquela hora reescreveu a sua carreira.
As Operações Especiais aceleraram-lhe a passagem pela Escola Naval e treino de elite.
Anos depois, tornou-se a mulher mais jovem de sempre a assumir comando no COE.

Mas nunca se gabou. Nunca contou a sua história.
Deixou que as acções falassem — e o refeitório ouviu-a alto e bom som.

Mais tarde, Monteiro bateu à porta do seu gabinete.
“Excedi-me,” disse, baixinho.

“Excedeste,” respondeu ela, sem levantar os olhos da papelada.

Ele hesitou. “Já servi sob muitos comandos. Poucos que eu respeitasse logo. Mas tu—”

“Então conquista o meu respeito de volta,” cortou ela, seca.

Ele anuiu, virou-se para sair — e parou.
“Aquilo com o distintivo,” murmurou. “Frio.”

Inês finalmente soltou um meio-sorriso.
“Só estava com fome. Roubaste-me o intervalo do almoço.”

Na manhã seguinte, todos os Comandos na base estavam em sentido quando ela entrou no pátio de treinos.
Sem piadas. Sem desafios. Apenas respeito.

Porque agora entendiam — ela não estava ali a pedir autoridade.
Ela era autoridade.
E tinha conquistado cada grama dela — em sangue, suor e silêncio.

Nunca subestimes alguém pela aparência.
A patente não está cosida no uniforme.
É forjada no fogo — e provada quando mais importa.

E naquele dia, todos naquele refeitório perceberam exactamente quem estava no comando.

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