Meu Cão Policial se Recusou a Deixar o Garoto Quieto. Quando Revirei sua Manga, Fiquei em Choque.3 min de lectura

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**Capítulo 1: O Alerta**

O ar no ginásio da Escola Primária Dona Maria II estava pesado, quase viscoso. Uma mistura de cera de chão, hormônios adolescentes e o calor úmido que só trezentas crianças amontoadas conseguem criar.

Enxuguei o suor da testa, ajustando o colete à prova de balas que parecia apertar a cada minuto.

“Calma, pessoal! Vamos nos acalmar!”

Minha voz ecoou pelo sistema de som, batendo nas vigas de aço. O burburinho caótico das crianças diminuiu para um zumbido baixo.

“Sou o Agente Tiago Mendes”, disse, forçando o sorriso que reservava para eventos comunitários. “E este…” apontei para o pastor-alemão sentado como uma estátua ao meu lado. “… é o Agente Thor.”

Thor latiu na hora certa. As crianças gritaram, empolgadas. Mãos se ergueram, acompanhadas de exclamações animadas.

Thor era um espetáculo e sabia disso. Quarenta quilos de músculos pretos e dourados, olhos que não perdiam nada e uma lealdade que não se comprava. Éramos parceiros há cinco anos. Ele dormia na minha sala, comia bifes melhores que os meus e já me salvou mais vezes do que queria lembrar nas ruas de Lisboa.

Mas hoje, seu trabalho era fácil. Encontrar as “drogas” (um chumaço de algodão perfumado escondido numa bolsa de lona), prender o voluntário no traje de proteção (o meu colega, Agente Costa) e parecer heroico para os pais.

“Tá bem”, levantei a mão. “Vamos mostrar como o Thor usa o nariz. O nariz de um cão é dez mil vezes mais sensível que o nosso. Se eu pedir uma pizza aqui, vocês talvez sintam o cheiro de pepperoni. O Thor? Ele sente o orégano, a farinha e até as mãos de quem amassou a massa.”

Risadas. Ótimo. Estavam interessados.

“Escondi um saco com cheiro nas arquibancadas”, menti. Na verdade, estava atrás do púlpito da diretora, uma descoberta fácil para animá-los. “Thor, busca!”

Soltei a coleira.

Normalmente, era quando o Thor virava uma máquina. Ele varria o chão metodicamente, o rabo erguido, vibrando com a caça.

Mas hoje, a máquina falhou.

Thor deu dois passos em direção ao púlpito… e parou. Ergueu a cabeça, farejando o ar parado. As orelhas viraram—esquerda, direita, depois para trás.

Não olhou para o púlpito. Virou-se completamente, encarando o fundo das arquibancadas, onde os alunos do quinto ano estavam apertados como sardinhas.

“Thor”, murmurei, baixo para o microfone não captar. “Aqui, campeão.”

Ele me ignorou. Primeiro sinal vermelho. Thor nunca me ignorava.

Ele começou a andar. Não era o passo animado da busca. Era uma aproximação lenta, calculada. O rabo baixo, quase entre as patas. Ele não estava seguindo um cheiro treinado. Estava rastreando algo biológico. Algo… errado.

A multidão silenciou, confusa pela mudança de energia. Crianças sentem tensão melhor do que adultos imaginam. Observaram o cão passar pelas meninas rindo, pelos meninos se empurrando.

Parou na terceira fila.

Lá, isolado como se tivesse um campo de força invisível, estava um menino.

Já o tinha notado antes. Era difícil não ver. Estávamos em junho, em pleno calor. Todos usavam camiseta e shorts.

Ele vestia um casaco cinza, muito grande, com o capuz puxado sobre um cabelo loiro sujo. Era pequeno para a idade, os ombros curvados como se quisesse sumir. Olhava fixamente para os tênis, evitando contato com o mundo.

Thor sentou-se bem na frente dele.

“Olha só, pessoal”, forcei uma risada no microfone. “Parece que o Thor encontrou um lanchinho melhor que o nosso treino.”

Corri até lá, esperando que Thor obO Thor encostou o focinho no braço do menino, e naquele instante, sob o silêncio pesado do ginásio, todos perceberam que algumas histórias precisam ser interrompidas para que outras, melhores, possam começar.

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