Menina de 7 anos percorre quilômetros para salvar os irmãos recém-nascidos — e o que aconteceu depois emocionou a todos6 min de lectura

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Há muitos anos, numa aldeia remota no norte de Portugal, uma menina de sete anos chamada Beatriz empurrou um carrinho de mão durante quilómetros para salvar os seus irmãos gémeos recém-nascidos. O que aconteceu a seguir deixou toda uma equipa hospitalar sem palavras…

Quando a rececionista do Hospital de Braga a viu entrar, cambaleante, pelas portas de vidro, pensou ser uma brincadeira. Uma menina tão pequena, descalça, os pés sangrando, as mãos tremulas a empurrar um carrinho de mão enferrujado que rangeva no chão do lobby.

“Ajudem”, sussurrou a menina, com a voz rouca. “Os meus irmãozinhos… não acordam.”

Uma enfermeira, a Dona Isabel, correu na sua direção. Dentro do carrinho, enrolados num lençol amarelado, estavam dois recém-nascidos, tão quietos como pedras.

“Querida, onde está a tua mãe?”, perguntou a enfermeira, levantando os bebés com cuidado.

Beatriz não respondeu. Os olhos inchados, as pestanas coladas pelas lágrimas secas. Parecia exausta, assustada, e muito mais velha do que os seus anos.

“Onde moras? Quem te mandou cá vir?”

Silêncio.

Quando a enfermeira examinou os bebés, um calafrio percorreu-lhe a espinha – estavam gelados. Gelados demais.

“Há quanto tempo estão assim?”, perguntou, urgente.

A menina baixou a cabeça.

“Não sei… A Mamã está a dormir há três dias.”

O serviço de urgências parou.

“A dormir?”, repetiu a enfermeira.

Beatriz anuiu.

“Ela não se mexe. Não abre os olhos. E os bebés pararam de chorar ontem.”

Um peso caiu sobre a sala. As pernas da menina estavam em sangue, as mãos cheias de bolhas, os lábios ressequidos pela sede. Tinha caminhado quilómetros, sozinha, a empurrar os irmãos naquele carrinho partido, porque a mãe lhe dissera uma vez:

“Se alguma coisa acontecer, vai ao hospital. Eles vão ajudar-te.”

Depois de os médicos estabilizarem os gémeos, uma pediatra perguntou, suavemente:

“E o teu pai?”

Beatriz olhou para o vazio. “Não tenho pai.”

“E a tua mãe… ainda está em casa?”

Uma lágrima deslizou pela sua face enquanto anuía.

“Eu queria voltar para ir buscá-la”, murmurou. “Mas primeiro tinha de salvar os bebés.”

Ninguém na sala conseguiu falar.

Mais tarde, os agentes da GNR dirigiram-se ao sítio que a menina indicou – e o que encontraram naquela casa mudou tudo.

E o que descobriram sobre a mãe…

ninguém poderia imaginar.

Beatriz não soltou a mão da enfermeira enquanto esperava notícias dos irmãos. Os seus dedos pequenos, sujos de terra e sangue, agarravam-na com uma força que parecia impossível para os seus sete anos. Ela não chorou. Não falou. Apenas olhou para a porta das urgências, como se o seu olhar pudesse mantê-los vivos.

A enfermeira Isabel, com vinte anos de serviço, já tinha visto de tudo. Mas nunca uma menina descalça, os pés em farrapos, a empurrar um carrinho de mão debaixo do sol inclemente. Nunca dois bebés tão frios, tão quietos, tão perto de não voltarem.

Quando a pediatra saiu, o seu rosto dizia tudo. Estavam vivos. Desidratados, hipotérmicos, mas vivos. Os gémeos chegaram a tempo. Mais uma hora, talvez duas, e a história teria sido outra.

Beatriz suspirou. Era um suspiro pequeno, mas carregado de alívio. Depois, pela primeira vez desde que chegara, fechou os olhos. E desmaiou.

A casa na colina
O endereço que Beatriz deu era vago. “A casa azul na colina, depois da ponte partida.” Naquela aldeia, foi suficiente. Duas viaturas da GNR e uma ambulância percorreram um caminho de terra que mal dava para um carro. O sol já se punha quando chegaram.

A casa era mais um barraco do que um lar. Paredes de madeira podre, um telhado de zinco enferrujado, sem janelas. O cheiro chegou antes de baterem à porta. Um cheiro doce, pesado, que se agarrava à garganta.

O agente Mendes empurrou a porta. Estava aberta.

Dentro, era escuro como breu. A luz entrava apenas por frestas no telhado. Moscas zumbiam por todo o lado. E no centro da sala, sobre um colchão sujo, estava ela.

A mãe de Beatriz.

Não se mexia. Os olhos entreabertos, fixos no tecto. A pele pálida, quase cinzenta. Ao lado, dois biberões vazios e um cobertor manchado de sangue. Os paramédicos correram para ela. Verificaram-lhe o pulso, a respiração, sinais de vida.

E encontraram-nos.

Fracos. Quase imperceptíveis. Mas ela estava viva.

“Aqui! Ela ainda respira!”, gritou um dos paramédicos.

A mulher não reagiu. Não abriu os olhos, não se mexeu. Mas o peito subia e descia lentamente, como se o seu corpo se recusasse a desistir.

Levaram-na rapidamente para a maca. Enquanto a carregavam, Mendes olhou em volta. Não havia comida. Não havia água. Não havia roupas limpas. Havia apenas um caderno aberto em cima de uma mesa partida.

Aproximou-se. E o que leu partiu-lhe o coração.

As palavras de uma mãe desesperada
O caderno era velho, as páginas amarelecidas e dobradas. Mas a letra era clara. Trémula, mas clara.

“Se alguma coisa me acontecer, a Beatriz sabe o que fazer. Ensinei-lhe o caminho para o hospital. Disse-lhe para nunca abandonar os irmãos. Para cuidar deles como eu cuidei dela. Peço desculpa por não fazer mais. Peço desculpa por não ser suficiente.”

Mais abaixo, outra nota:

“Dia 1 após o parto: Sinto-me fraca. Não consigo levantar-me. A Beatriz traz-me água. Diz-me para não me preocupar. Tem sete anos e já é mais forte do que eu.”

“Dia 2: Os bebés choram muito. Não tenho leite. A Beatriz dá-lhes água com açúcar. Não sei se está bem, mas é tudo o que temos.”

“Dia 3: Já não consigo abrir os olhos. A Beatriz pergunta se estou bem. Digo que sim. Minto-lhe. Ouço os bebés a chorar, mas já não os posso pegar ao colo. Perdoem-me.”

A última linha estava escrita com traços quase invisíveis:

“Beatriz, se estiveres a ler isto, obrigada. És a melhor filha que eu poderia ter. Cuida dos teus irmãos. Leva-os ao hospital. Eles vão ajudar-te. Eu já não consigo.”

Mendes fechou o caderno. As mãos tremiam-lhe. Saiu da casa e encostou-se à parede. Um colega aproximou-se.

—O que se passou ali dentro?

Mendes não respondeu de imediato. Olhou para o horizonte, onde o caminho de terra se perdia entre as árvores.

—Aquela menina andou mais de oito quilómetros — disse por fim. — A empurrar um carrinho de mão. Com dois recém-nascidos. Ao sol. Sozinha.

O colega engoliu em seco.

—E a mãe?

—Hemorragia pós-parto. Já sangrava há três dias. Sem ajuda. Sem telefone”—Sem ninguém a quem pedir socorro.”

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