Foi a Namorada Que Fez Isso… O Jovem Humilde Revelou Toda a Verdade ao Rico6 min de lectura

Compartir:

**A Verdade que Libertou**

Era a sua namorada quem tinha feito aquilo. O menino pobre contou toda a verdade ao milionário.

Carlos Mendes empurrava a cadeira de rodas da sua filha Joana pelo parque quando tudo mudou. O empresário de 52 anos tinha criado uma rotina tranquila de passeios à tarde, aproveitando os momentos de paz para conversar com a menina de 8 anos sobre o dia na escola e os pequenos acontecimentos que enchiam as suas tardes.

Foi então que um menino maltrapilho, com roupas gastas e um boné velho surgiu correndo entre as árvores e apontou diretamente para Cátia, a namorada de Carlos, que caminhava alguns metros à frente, admirando as flores do jardim.

— Foi ela quem fez isso à sua filha! — gritou o garoto sem fôlego, os olhos arregalados de urgência.

Carlos parou abruptamente, sentindo o coração acelerar. Joana virou a cabeça, confusa. Enquanto isso, Cátia se aproximou rapidamente, o rosto tenso de preocupação.

— Carlos, afasta esse menino daqui — disse Cátia, agarrando-o pelo braço com força. — Ele deve ter problemas mentais. Vamos embora.

— Espera. — Carlos segurou a cadeira de rodas com mais firmeza, olhando fixamente para o menino. — O que é que disseste?

O garoto, que aparentava uns 10 anos, respirava pesadamente e tremia visivelmente. A roupa estava suja, os pés descalços cobertos de terra, mas os olhos brilhavam com uma determinação que despertou algo perturbador no peito de Carlos.

— O senhor é o Carlos Mendes, não é? E ela é a Joana.

O menino apontou para a menina na cadeira.

— Eu sei o que aconteceu na escola naquele dia. Eu vi tudo.

Cátia deu um passo à frente, colocando-se entre Carlos e o menino.

— Não ouças isso, amor. Deve ser algum golpe. Estas crianças de rua inventam qualquer história para conseguir dinheiro.

Virou-se para o garoto com tom ameaçador.

— Some daqui antes que eu chame a segurança.

Mas Carlos não conseguia tirar os olhos do menino. Havia algo na expressão do pequeno que o perturbava profundamente. Uma sinceridade desesperada que contrastava com o nervosismo excessivo de Cátia.

— Como sabes os nossos nomes? — perguntou, ignorando os puxões insistentes da namorada na sua manga.

— Eu trabalhava na escola como ajudante de limpeza quando aconteceu.

O menino engoliu em seco.

— Faz dois anos, mas eu lembro-me de tudo. Estava a limpar o corredor quando ouvi os gritos.

Joana mexeu-se inquieta na cadeira, as mãozinhas agarrando os braços do assento. Carlos notou que a filha estava a prestar atenção a cada palavra, embora fingisse estar distraída a olhar para os pássaros.

— Vamos embora agora, Carlos — insistiu Cátia, a voz subindo de tom. — Não vou permitir que perturbem a nossa família com estas invenções.

— Eu não estou a inventar! — gritou o menino, começando a chorar. — Ela magoou a Joana. Eu vi quando a empurrou nas escadas.

O silêncio que se seguiu foi pesado como chumbo. Carlos sentiu como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos pés. Cátia empalideceu, mas rapidamente recompos a expressão.

— Isso é absurdo — disse, mas a voz tremia ligeiramente. — Carlos, não vais acreditar nas fantasias de um menino perturbado, pois não?

Carlos olhou para Joana, que se tinha virado completamente na cadeira e estava a olhar fixamente para o menino com uma expressão que ele nunca vira antes. Não era confusão ou medo, mas algo mais profundo, como reconhecimento.

— Joana — ajoelhou-se junto à cadeira da filha. — Lembras-te deste menino?

A menina hesitou, os grandes olhos azuis alternando entre o garoto e Cátia. Então, quase impercetivelmente, acenou com a cabeça.

— Eu chamo-me Tomás — disse o menino, aproximando-se devagar. — Tu lembras-te de mim, né, Joana? Eu limpava a tua sala de aulas.

— Tomás… — a voz de Joana mal se ouvia.

Carlos sentiu um calafrio a percorrer-lhe a espinha.

Cátia tinha-se tornado sua noiva dois anos antes, pouco depois do acidente que deixara Joana paraplégica. Era professora na escola privada onde a menina estudava e tinha sido um anjo de apoio durante os primeiros meses difíceis da recuperação.

Pelo menos era o que ele achara até àquele momento.

— Precisamos de falar — disse Carlos com firmeza, olhando diretamente para Tomás. — Mas não aqui.

Cátia agarrou-lhe o braço com força.

— Não podes estar a considerar ouvir esse… esse moleque. Ele claramente tem problemas e está a tentar chantagear-nos.

— Se ele está a mentir, então não há problema em ouvi-lo — respondeu Carlos com uma voz mais fria do que pretendia. — A menos que tu tenhas algum motivo para não querer.

A expressão no rosto de Cátia foi como uma máscara que se desfez por um segundo, revelando algo que Carlos nunca tinha visto antes. Medo.

Depois recompondo-se rapidamente, forçou um sorriso.

— Claro que não tenho motivos. Só não quero que a nossa família seja perturbada por alguém que claramente precisa de ajuda psicológica.

Tomás deu um passo atrás, como se esperasse ser expulso a qualquer momento. Mas manteve os olhos fixos em Carlos.

— Senhor, eu vivo no bairro do Aleixo. Toda a gente me conhece lá. Eu não sou louco, não sou mentiroso. Só quero que a verdade saia.

Olhou para Joana com ternura.

— Ela não merecia o que lhe aconteceu.

Carlos sentiu o peito apertado.

Durante dois anos, ele aceitara a versão oficial do acidente. Joana tinha tropeçado e caído das escadas durante o recreio quando corria sem prestar atenção. Os médicos explicaram que a lesão na coluna era irreversível, e ele concentrara-se totalmente na adaptação e nos cuidados da filha.

Cátia fora o seu porto seguro emocional durante todo o processo.

— Pai… — a vozinha de Joana interrompeu os seus pensamentos. — Posso falar com o Tomás?

— Claro, minha querida — respondeu Carlos, ignorando o olhar furioso de Cátia.

Tomás ajoelhou-se no relvado em frente à cadeira de rodas, ficando à altura dos olhos de Joana.

— Olá, Joana, estás bem? Cresceste bastante — sorriu com genuíno afeto.

— Olá, Tomás — respondeu timidamente. — Tu ainda trabalhas na escola?

— Não. Depois daquele dia, não me deixaram voltar.

Olhou rapidamente para Cátia.

— Disseram que eu era muito novo para o trabalho.

Carlos entendeu imediatamente. O garoto tinha sido afastado da escola logo após o acidente de Joana. Não podia ser coincidência.

— Tomás… — Carlos aproximou-se. — Onde é que vives exatamente? Com quem?

— Vivo com a minha avó, a dona Lurdes. Ela lava roupa para nos sustentar. A nossa casa é na Rua das Oliveiras, número 247 — respondeu o rapaz sem hesitar. — O senhor pode ir quando quiser. Toda a gente no bairro nos conhece.

A honestidade e transparência de Tomás contrastavam drasticamente com a agitação crescente de Cátia, que não parava de se mexer e olhar em volta como se procurasse uma saída.

— Carlos, isto já está a ir longe demais — disse com firmeza. — A Joana está a ficar cansada, e temos jantar com osCarlos olhou para Joana, depois para Tomás, e sentiu o peso da verdade desabar sobre ele, sabendo que nada voltaria a ser o mesmo.

Leave a Comment