A Babá Levou a Filha Para Brincar… Ele Viu Algo Que Mudou Tudo.6 min de lectura

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A empregada levou a filha para brincar com o bebé do milionário. Marcelo parou, impressionado. A Ana Clara segurava uma boneca remendada do lixo, enquanto o Pedro brincava com um carrinho hipermoderno. Aquele contraste brutal revelou uma injustiça que mudaria tudo para sempre. A Natália decidira levar a sua pequena, a Inês, para brincar com o filho do magnata Marcelo na sua mansão.

Contudo, a sua filha tinha apenas uma boneca remendada, enquanto o Pedro se divertia com um brinquedo de luxo. A partir daquele instante, Marcelo soube que tinha de agir, e a sua primeira pergunta cortaria o silêncio pesado daquela sala opulenta de uma forma que alteraria tudo. “Natália, há quanto tempo trabalha aqui?” A voz saiu-lhe mais firme do que esperava, fazendo-a levantar o rosto de repente, com aquela expressão de quem está sempre à espera de más notícias.

A Inês continuava sentada no chão, abraçando a boneca partida ao peito, enquanto o Pedro empurrava o carrinho azul em pequenos círculos à sua volta. A Natália levantou-se devagar, alisando o avental com as mãos trémulas, os olhos castanhos arregalados de medo. “Dois anos e meio, senhor Marcelo, desde antes do Pedro nascer.”

Ela respondeu com a voz baixa, quase um sussurro carregado de receio, como se cada palavra pudesse ser uma armadilha. Marcelo deu alguns passos pela sala, as mãos nos bolsos, a digerir aquela informação simples que de repente parecia ter um peso imenso. Dois anos e meio. Dois anos e meio daquela mulher a entrar e a sair da sua casa, a cuidar do seu filho, a limpar os seus móveis, a preparar as suas refeições.

E ele mal sabia o seu apelido. “E a Inês?” perguntou, olhando para a menina, que agora cantarolava baixinho para a boneca. “Ela veio sempre consigo?” A Natália hesitou, mordendo o lábio inferior antes de responder. “Nem sempre, senhor. No início deixava-a com uma vizinha, mas a senhora mudou-se há cerca de oito meses e já não tinha com quem a deixar.

A senhora Amélia disse que a podia trazer, desde que ela ficasse sossegadinha e não atrapalhasse o serviço.” A menção de Amélia, a sua governanta, fez Marcelo franzir a testa, mais uma pessoa que sabia pormenores da vida dentro da sua própria casa, enquanto ele permanecia completamente alheio. “A Amélia autorizou, mas nunca me disse nada.”

Não era uma pergunta, era uma constatação amarga. A Natália baixou os olhos para o chão de mármore polido. “Eu pedi-lhe para não incomodar o senhor com isso. O senhor tem coisas mais importantes com que se preocupar do que com os problemas de uma empregada.” A forma natural e resignada como ela disse aquilo fez algo dentro do peito de Marcelo contrair-se dolorosamente.

“Problemas de uma empregada doméstica.” Ele repetiu as palavras devagar, saboreando o seu amargor. Caminhou até à janela grande que dava para o jardim impecavelmente aparado, observando as roseiras que custavam mais por mês do que o salário da Natália. “Considera que ter uma filha pequena e não ter com quem a deixar é apenas um ‘problema de empregada’?”

Ela levantou o rosto, surpreendida com o tom da pergunta, que não tinha irritação, mas algo que não conseguia identificar. “É da minha responsabilidade, senhor Marcelo. Eu escolhi ter a Inês, por isso tenho que arranjar maneira de cuidar dela sem atrapalhar o meu trabalho.” Marcelo virou-se para encará-la, olhando realmente para a Natália pela primeira vez em dois anos e meio.

Viu as olheiras profundas que a maquilhagem barata não escondia por completo, a pele seca das mãos de tanto produto de limpeza, o uniforme desbotado nas bordas, apesar de impecavelmente limpo. Viu uma mulher jovem, não devia ter mais de 25 anos, a carregar um peso que parecia demasiado grande para os seus ombros delicados.

“Quantos anos tem, Natália?” A pergunta saiu antes que ele pudesse pensar melhor, e ela piscou os olhos várias vezes, claramente confusa com o interesse súbito. “Vinte e quatro, senhor.” Vinte e quatro anos. Uma filha de três anos, dois anos e meio a trabalhar em sua casa. As contas não batiam certo, mas Marcelo decidiu não pressionar naquele momento. “E sempre viveu aqui na cidade?” A Natália abanou a cabeça. “Não, senhor.

Eu vim do interior quando descobri que estava grávida da Inês. A minha família não aceitou muito bem a situação.” A voz dela ficou ainda mais baixa, carregada de uma dor antiga que claramente não queria revisitar. Marcelo sentiu a curiosidade crescer, mas também percebeu que estava a pisar terreno delicado.

O Pedro largou o carrinho por um momento e aproximou-se da boneca que a Inês segurava, estendendo a mãozinha para tocar no rosto gretado do brinquedo. “Porque é que ela está partida?” perguntou com a curiosidade brutal das crianças. A Inês olhou para a mãe, depois para o Marcelo, como se pedisse autorização para responder.

“Podes falar, minha filha.” A Natália encorajou, a voz mais suave quando se dirigia à menina. A Inês sorriu para o Pedro e levantou a boneca com cuidado. “Ela não está avariada, ela só está cansada. A mamã diz que quando ficamos muito tempo sem carinho, ficamos assim meio magoados por fora, mas por dentro ainda temos muito amor.”

A resposta da menina atingiu Marcelo como um murro no estômago. Ele olhou para o carrinho caríssimo do Pedro, depois para a boneca remendada, e pela primeira vez viu o que aqueles brinquedos representavam. Não eram apenas objetos, eram símbolos de duas realidades completamente diferentes, a coexistir no mesmo espaço.

“Inês, posso ver a tua boneca?” perguntou, baixando-se para ficar à altura das crianças. A menina hesitou, olhando para a mãe à procura de aprovação. A Natália anuiu nervosamente e a Inês estendeu a boneca ao Marcelo com cuidado. Ele pegou no brinquedo com delicadeza, sentindo o peso leve do plástico velho, notando os remendos cuidadosos no vestido, a cola que segurava o braço, o cabelo sintético que alguém penteara com carinho, apesar de desfiado.

“Quem a consertou para ti?” perguntou, embora já soubesse a resposta. “A mamã”, respondeu a Inês com orgulho. “Ela encontrou-a no lixo, mas disse que todos merecem uma segunda oportunidade. Então ela cosiou, colou, fez um vestido novo com um pedaço do seu uniforme velho.” Marcelo olhou para a Natália, que estava vermelha de vergonha, desviando os olhos.

“Você fez isso?” Não era uma pergunta. Marcelo devolveu a boneca à Inês e pôs-se de pé, os olhos fixos na Natália. “Você tirou um brinquedo do lixo e transformou-o no tesouro mais precioso da sua filha.” A Natália encarou-o finalmente, o queixo erguido numa dignidade silenciosa que contrastava com a situação humilde.

“Sim, senhor. Fiz o que pude com o que tinha. A Inês queria uma boneca há muito tempo e eu não podia comprar uma nova.” Ela deixou a frase no ar, não precisando de completar. Marcelo entendeu perfeitamente. “Quanto ganha a trabalhar aqui, Natália?” A pergunta saiu direta, sem rodeios. Ela endireitou-se ainda mais, como se se preparasse para uma batalha.

“Ordenado mínimo, senE Marcelo, com o coração cheio de uma determinação serena, disse-lhe: “A partir de hoje, esta também passa a ser a casa da Inês.”

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