A Noiva que Já Conhecia a Esposa Morta3 min de lectura

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“Papá… a Inês deu-me isto.”
A filha mal conseguia articular as palavras entre lágrimas.
Ele ajoelhou-se ao lado dela, vestido a rigor, e pegou o bilhete amassado.
“O que aconteceu?”
Ela balançou a cabeça.
“Só lê.”
Ele desdobrou o papel.
A expressão dele mudou quase imediatamente.
Nesse momento, as portas da igreja se abriram.
Inês saiu, radiante em seu vestido de noiva, sorrindo.
Percebeu o bilhete na mão dele.
Seu sorriso foi desaparecendo lentamente.
“O que aconteceu?”
Ele não respondeu.
Olhou para sua filha.
Depois para a mulher que estava prestes a se casar.
“Foste tu que escreveste isto?”
O rosto de Inês empalideceu.
A filha segurou a manga dele.
“Ela disse que não era para te mostrar até hoje.”
Ele voltou a olhar para o bilhete.
Uma frase estava escrita:
“Depois do casamento, o papá não vai precisar mais de ti.”
A mandíbula dele se contraiu.
Inês sussurrou,
“Eu posso explicar.”
A filha começou a chorar mais intensamente.
“Há mais, papá.”
Ela penetrou na sua pequena bolsa branca.
E tirou uma fotografia.
O noivo a observou, atônito.
Inês, de repente, avançou.
“Deixa ver isso.”
Ele afastou a foto.
Porque a mulher ao lado de Inês na fotografia…
era a mãe falecida da sua filha.
O noivo encarou Inês.

“Disseste-me que nunca a conheceste.”

Os olhos de Inês se encheram de lágrimas.

“Não a conheci… não realmente.”

Ele virou a fotografia.

Havia uma mensagem escrita no verso.

A caligrafia da sua falecida esposa.

“Se algo acontecer comigo, não deixes a Inês perto da minha filha.”

As mãos dele começaram a tremer.

Inês sussurrou,

“Não é o que pensas.”

A filha pressionou-se contra ele.
“Papá, ela tinha mais fotografias.”
Ele olhou para Inês.
“Há quanto tempo conheces a minha esposa?”
Inês ficou em silêncio.
Aquela pausa foi suficiente.
Ele aproximou-se.
“Há quanto tempo?”
“Desde a faculdade.”
A expressão dele desmoronou.
“Vocês eram amigas?”
Inês balançou a cabeça.
“Não.”
“Então, o que?”
A voz dela rompeu-se.
“Ela sabia algo sobre mim.”
“O quê?”
Inês olhou para a menina.
O noivo imediatamente colocou-se à frente da filha.
“Não olhes para ela. Olha para mim.”
Inês começou a chorar.
“A tua esposa descobriu que eu usava outro nome.”
Ele a olhou, perplexo.
“Que nome?”
Ela engoliu em seco.
Então, a filha puxou um último papel dobrado da sua bolsa.
“Encontrei isto com as fotografias.”
O noivo desdobrou-o.
Uma certidão de nascimento.
A fotografia de Inês estava colada.
Mas o sobrenome não era o dela.
Era o da sua falecida mulher.
Ele lentamente levantou os olhos.
Inês sussurrou,
“Ela não era apenas a tua esposa.”
A voz dele tornou-se baixa.
“O que queres dizer?”
Inês olhou para a menina.
Depois, voltou-se para ele.
“Ela era minha—”.

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