A Criança que Nunca Deveria Lembrar3 min de lectura

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O empregado de mesa derrubou o pão da mão do menino com tanta força que o garoto se assustou, como se tivesse sido golpeado antes. O pão rolou pelo chão do elegante salão de festas. Os convidados perto da entrada traseira ficaram em silêncio. O menino ficou ali, com o cabelo embaraçado, as bochechas sujas e a roupa rasgada presa ao seu pequeno corpo. Seus olhos estavam fixos no pão, e não no empregado. Então, ele se agachou lentamente e estendeu a mão para pegá-lo. “Desculpe…” sussurrou. “Estava com fome.” Uma bela mulher vestindo um vestido de designer dourado estava perto da porta, paralisada. Um momento atrás, ela sorria para as fotos dentro do salão. Agora, não conseguia se mover. O menino pegou o pão sujo com dedos trêmulos, e então algo escorregou de seu bolso. Uma foto antiga e amassada caiu perto do calcanhar dela. A mulher se curvou e a pegou. Sua voz ficou suave. “Quem é esta pessoa?” O menino olhou para a foto como se fosse a única razão pela qual tinha sobrevivido. “Minha mãe disse que se um dia eu não tivesse ninguém, eu deveria encontrar essa mulher.” A mulher virou lentamente a foto. Seu rosto empalideceu. Era ela. Mais jovem. Segurando um bebê. Seus lábios começaram a tremer. “Quem te deu esta imagem?” O menino a olhou com certa lentidão.

Ele encarou a mulher no vestido dourado, confuso com as lágrimas que se formavam em seus olhos.

“Minha mãe me deu,” disse ele baixinho. “Antes de ela morrer.”

Os dedos da mulher se apertaram em volta da foto.

“Qual era o nome dela?”

O menino engoliu em seco.

“Lena.”

Ela parou de respirar.

Atrás dela, a música do casamento continuava tocando, suave e cruel, como se nada no exterior tivesse mudado.

Mas tudo havia mudado.

Lena era o nome da jovem enfermeira que desapareceu na mesma semana em que o bebê da mulher foi levado do hospital.

O empregado de mesa avançou, nervoso agora.

“Senhora, devo chamar a segurança?”

A mulher virou-se para ele com lágrimas escorrendo pelo rosto.

“Não.”

Então, ela se ajoelhou no chão frio, na frente do menino, o vestido dourado tocando a terra.

O menino recuou, assustado.

“Eu não roubei nada,” sussurrou. “Eu prometo.”

A mulher balançou a cabeça.

“Não, querido. Você não me roubou.”

Ela olhou para o rosto dele.

Seus olhos.

A pequena cicatriz perto da sobrancelha.

A cicatriz que seu bebê tinha quando o segurou pela primeira e última vez.

A voz dela quebrou por completo.

“Você foi roubado de mim.”

Os lábios do menino tremeram.

“O quê?”

Ela estendeu a mão lentamente, com cuidado para não assustá-lo.

“Eu te procurei por oito anos.”

O menino encarou a foto e depois o rosto dela.

Pela primeira vez, ele viu também.

Os mesmos olhos.

A mesma boca.

A mesma dor.

Sua voz saiu pequena.

“Você é a mulher que minha mãe disse para eu encontrar?”

Ela o puxou gentilmente para os braços e chorou em seu cabelo sujo.

“Sim,” sussurrou. “Eu sou a sua mãe.”

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