Espalhei câmeras pela casa para pegar a babá negligenciando3 min de lectura

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Chamo-me Diogo Albuquerque. Aos quarenta e dois anos, era um homem que parecia ter tudo… até que, numa noite, tudo ficou em silêncio. A minha esposa, Beatriz, uma violoncelista de fama mundial, morreu quatro dias depois de dar à luz os nossos gémeos, Tomás e Simão. Os médicos chamaram-lhe “complicações pós-parto”, uma daquelas explicações que nada explicam. Fiquei sozinho num apartamento de luxo avaliado em cinquenta milhões de euros, no bairro do Chiado, com dois recém-nascidos e uma dor tão densa que respirar parecia um afogamento.

Simão era forte e tranquilo. Tomás não. O seu choro era agudo, ritmado, desesperado, como um alarme que nunca se calava. O seu corpinho enrijecia, os olhos reviravam-se de um modo que me gelava o sangue.

O especialista, o doutor André Vilar, desvalorizou, chamando-lhe “cólica”.
A minha cunhada, Marta, tinha outra teoria. Dizia que a culpa era minha, que eu era emocionalmente distante, e que as crianças precisavam de um “ambiente familiar adequado”. Na verdade, o que ela queria era o controlo do Fundo Albuquerque e a tutela dos meus filhos.

Até que chegou Inês.

**A rapariga que ninguém notou**
Inês tinha vinte e quatro anos, estudava enfermagem e trabalhava em três empregos ao mesmo tempo. Falava baixinho, passava despercebida, e nunca pediu um aumento. Só pediu uma coisa: autorização para dormir no quarto dos gémeos.

Marta desprezava-a.

“É uma preguiçosa”, murmurava numa noite, durante o jantar. “Vi-a sentada no escuro durante horas, sem fazer nada. E quem sabe… talvez esteja a roubar as jóias da Beatriz quando não estás. Devias vigiá-la.”

Movido pela dor e pela desconfiança, gastei 100.000 euros em câmaras infravermelhas de última geração, instaladas por toda a casa. Não contei a Inês. Queria provas.

Durante duas semanas, evitei ver as gravações, refugiando-me no trabalho. Mas numa terça-feira chuvosa, às três da manhã, incapaz de dormir, abri a transmissão segura no meu tablet.

Esperava vê-la a dormir.
Esperava encontrá-la a mexer nas minhas coisas.

O que vi tirou-me o fôlego.

As imagens noturnas mostravam Inês sentada no chão, entre os dois berços. Não descansava. Segurava Tomás, o gémeo frágil, pele com pele contra o peito, como Beatriz costumava fazer para acalmar a respiração de um bebé. Mas não foi isso que mais me chocou.

A câmara captou um movimento suave e constante. Inês balançava-se lentamente, a cantarolar uma melodia: a mesma canção de embalar que Beatriz compusera para os gémeos antes de morrer. Nunca tinha sido publicada. Ninguém mais no mundo devia conhecê-la.

Foi então que a porta do quarto abriu-se.

Marta entrou com um pequeno conta-gotas prateado na mão. Dirigiu-se direita ao berço de Simão — o gémeo saudável — e começou a deitar um líquido transparente no seu biberão.

Inês levantou-se, abraçando Tomás. A sua voz, suave mas firme, ecoou no som.

“Para, Marta. Já troquei os biberões. Agora estás a dar-lhe só água. O sedativo que tens posto no leite do Tomás, para ele parecer doente? Encontrei o frasco no teu toucador ontem.”

O tablet tremia nas minhas mãos.

“Não passas de uma empregada”, cuspiu Marta. “Ninguém acreditará em ti. O Diogo pensa que a condição do Tomás é genética. Quando o declararem incapaz, fico com a custódia, os bens, tudo…

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