O Rico Voltou para Casa Mais Cedo—E o Que Encontrou na Cozinha o Deixou Sem PalavrasAo abrir a porta, ele viu sua esposa, que achava estar viajando a trabalho, preparando um jantar especial com seu melhor amigo.3 min de lectura

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António Mendes não devia chegar a casa antes de três dias.

A viagem de negócios estava planeada ao minuto — reuniões, jantares, contratos. Tinha dito a todos que só regressava na sexta-feira. Até o pessoal da casa acreditava nisso.

Mas o negócio terminou mais cedo.

E, por razões que nem ele entendia, António não avisou ninguém.

A mansão erguia-se alta e silenciosa quando o seu carro entrou no jardim pouco depois do meio-dia. Demasiado silêncio.

Numa casa com dois bebés de oito meses, o silêncio não era reconfortante — era inquietante.

António entrou, a porta fechando-se suavemente atrás dele. Nada de choro. Nada de vozes da ama. Nenhum som de biberões ou brinquedos.

O coração apertou-se-lhe.

«Olá?», chamou.

Silêncio.

Caminhou mais para dentro, cada passo ecoando nos soalhos polidos. A mente saltava entre os piores cenários — doença, negligência, regras quebradas. Fora ele quem as estabelecera, afinal.

Regras rigorosas.

Ninguém podia carregar os gémeos sem necessidade. Ninguém podia criar «apegos emocionais». Deviam ser cuidados com profissionalismo, eficiência.

Segurança.

Foi então que ouviu.

Um zumbido baixo.

Suave. Constante. Quase como uma cantiga de embalar.

Vinha da cozinha.

António abrandou, aproximando-se em silêncio.

E parou.

Junto ao balcão de mármore estava Ana — a empregada que contratara há meio ano. Vestia o uniforme cinzento, luvas de limpeza amarelas nas mãos enquanto passava um pano pelo mármore com movimentos cuidadosos.

Mas não era isso que lhe roubava o fôlego.

Presos às suas costas, seguros, estavam os seus gémeos.

João e Martim.

Ambos acordados.

Ambos a sorrir.

Um deles soltou uma risadinha, os dedinhos agarrados às alças como se já o tivessem feito mil vezes.

Os gémeos — que gritavam na hora do banho, que choravam sempre que os deitavam, que nunca dormiam mais de vinte minutos seguidos — estavam calmos.

Serenos.

Felizes.

Nas costas dela.

Ana balançou o corpo com suavidade, embalando-os enquanto limpava. O zumbido continuava — instintivo. O tipo de som que uma mãe faz sem pensar.

António não conseguia mover-se.

Sentia-se um intruso na própria casa.

E, pela primeira vez desde que a mulher morrera no parto, a cena à sua frente não lhe parecia caos ou dor.

Parecia… normal.

Como uma família.

«O que se passa aqui?»

Ana sobressaltou-se.

Virou-se depressa demais, os olhos alargando-se ao vê-lo ali. Perdeu a cor.

«Senhor Mendes — Eu — Peço desculpa», atirou, nervosa. «Posso explicar. Sei as regras. Não devia —»

«Não», António interrompeu, baixinho.

Ela parou, as mãos suspensas no ar.

Os gémeos mexeram-se contentes, alheios à tensão. Um deles pegou num pedaço do cabelo castanho dela e riu.

«Não paravam de chorar», disse Ana, a voz trémula. «A manhã toda. Alimentei-os, mudei as fraldas, dei voltas pela casa. Nada funcionou. Depois lembrei-me que a minha mãe carregava os meus irmãos assim. Não pensei —»

«Há quanto tempo?», perguntou ele.

«Uma hora.»

Uma hora.

Uma hora sem gritos.

Uma hora de paz que não sentia desde o dia em que a mulher morrera.

António aproximou-se.

Reparou então nos detalhes — as mãozinhas relaxadas, os rostos sem marcas de lágrimas, a forma como João encostava a cabeça ao ombro dela.

«Adormeceram assim», acrescentou. «Os dois.»

«Já fizeste isto antes», disse António.

Não era uma pergunta.

Ana hesitou, depois acenou.

«Criei os meus irmãos mais novos», disse. «Os meus pais partiram quando eu tinha dezassete anos. Trabalhei, estudei, cuidei deles. Isto é… familiar.»

António virou-se, fingindo inspeccionar o balcão. Os olhos ardiaE, enquanto segurava Martim ao colo, sentindo o coração pequeno do filho bater em sintonia com o seu, António percebeu que a cura não vinha da distância, mas sim deste abraço apertado, desta casa que, afinal, voltara a ser lar.

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