Filho de milionário rejeita herdeiras e escolhe humilde faxineira como nova mãe5 min de lectura

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Às oito da manhã, Leonor Santos limpava a mesa de vidro da sala quando reparou em cinco carros de luxo a estacionar junto ao portão. Depois de quatro meses a trabalhar na quinta dos Almeida, sentiu logo que aquele dia seria diferente.

No andar de cima, Rodrigo Almeida apontava pela janela para o filho de oito anos, Tomás.

“Filho, as cinco mulheres de que falamos chegaram. Vão ficar connosco trinta dias.”

Tomás observou as mulheres elegantes a saírem dos carros.

“E no fim, tenho de escolher uma para ser a minha nova mãe, não é, pai?”

“Exatamente. Todas são bem-educadas e vêm de famílias influentes. Tenho a certeza que vais gostar delas.”

“E se não gostar de nenhuma?”

“Vais gostar. Podem dar-te uma educação excelente e levar-te a conhecer o mundo.”

De repente, o som de vidro a partir ecoou pela casa, seguido por uma voz furiosa.

“Empregada incompetente! Partiste o meu cristal caríssimo!”

Rodrigo e Tomás trocaram olhares surpreendidos.

“O que foi aquilo?”, perguntou Tomás.

“Não sei. Vamos ver.”

Desceram as escadas apressados e encontraram a Leonor de joelhos, a apanhar os bocados de cristal partido, com um dedo a sangrar. Uma mulher morena e alta olhava para ela, de braços cruzados.

“Aquele cristal era importado. Custou mais do que ela ganha num ano.”

“Foi um acidente”, murmurou a Leonor, de cabeça baixa.

“Um acidente?”, riu-se a mulher com desdém. “Pessoas como ela nem deviam tocar em coisas de valor.”

“Com licença”, interveio Rodrigo com firmeza. “O que se passa aqui?”

A morena virou-se com um sorriso treinado. “Rodrigo, sou a Vanessa Monteiro. Acabei de chegar, e a tua empregada partiu o meu cristal.”

As outras quatro mulheres aproximaram-se, observando a Leonor no chão.

“Bem, isto é constrangedor”, comentou uma loura magra.

“Chamo-me Olívia Barros”, apresentou-se, fria.

“Acidentes acontecem”, respondeu Rodrigo, tentando acalmar a situação.

“Acontecem com gente sem classe”, disparou a Olívia, fixando a Leonor. “Pessoas refinadas têm mais cuidado.”

Tomás passou pelo pai e correu para a Leonor.

“Leo, magoaste-te?”

Ela ergueu os olhos, forçando um sorriso.

“Não é nada, menino. Só um arranhão.”

Vanessa apertou os olhos. “Que intimidade estranha.”

Rodrigo interrompeu. “Já que estão todas aqui, vamos esclarecer. Esta é a Leonor, a nossa empregada. E vocês são as candidatas.”

As mulheres apresentaram-se com orgulho: Vanessa, de uma família tradicional de Lisboa; Olívia, modelo e influenciadora que vivera em Paris; Catarina Reis, advogada de uma grande firma; a Dra. Maria Guerra, dermatologista com clínica própria; e Laura Brito, arquiteta.

Durante as apresentações, trataram a Leonor como se ela não existisse.

“Todas vão ficar aqui trinta dias”, explicou Rodrigo. “No fim, o Tomás decidirá com quem quero casar.”

“E a empregada?”, perguntou a Vanessa.

“Ela fica”, respondeu Rodrigo. “A Leonor já está aqui há meses.”

Olívia trocou um olhar com a Catarina. “Só esperamos que ela saiba o seu lugar.”

Tomás agarrou a mão da Leonor. “Leo, vem ver o desenho que fiz!”

“Ela tem de limpar a sujidade primeiro”, rosnou a Maria.

“Não faz mal”, disse a Leonor suavemente. “Eu vou depois.”

Vanessa observou atentamente. “Interessante.”

Naquela tarde, as cinco mulheres reuniram-se no pátio, a comparar presentes—tablets, viagens de luxo, escolas privadas, remodelações do quarto.

Tomás apareceu e agradeceu com polidez, mas sem entusiasmo.

Depois, chegou a Leonor com sumo e bolinhos de canela. O rosto do menino iluminou-se.

“Fizeste tu estes?”

“Fiz. E trouxe papel para dobragens.”

As mulheres observaram em silêncio enquanto o menino demonstrava uma alegria que não conseguiam provocar.

Naquela noite, reuniram-se novamente.

“Esta situação com a empregada é inaceitável”, sussurrou a Vanessa.

“Está demasiado apegado”, concordou a Laura.

“É inapropriado”, disse a Catarina.

“Precisa de aprender hierarquias”, acrescentou a Maria.

“E ela precisa de uma lição”, concluiu a Vanessa.

Rodrigo, entretanto, não conseguia ignorar a mudança no filho. Tomás voltara a rir, a comer, a viver.

Mais tarde, o menino mostrou-lhe um pássaro de papel dobrado.

“Ela tem paciência”, disse. “Nunca grita.”

“Gostaste das senhoras?”, perguntou Rodrigo.

“São simpáticas… mas a Leonor é melhor.”

“Porquê?”

“Ela é verdadeira.”

“Vais despedi-la?”, perguntou Tomás, ansioso.

“Não”, prometeu Rodrigo. “Ela fica.”

O assédio começou dias depois—confusões propositadas, materiais escondidos, a culpa sempre atirada à Leonor. Rodrigo instalou câmaras escondidas.

O que viu deixou-o furioso.

Quando Tomás a defendia, a Vanessa ameaçou-o.

“Se continuas a preferi-la, terás de escolher.”

“Já escolhi”, respondeu Tomás. “Escolho a Leonor.”

Rodrigo descobriu acusações falsas e investigações inventadas pela Vanessa.

Na festa final, convencidas de que venciam, as mulheres gabavam-se—sem saber que eram gravadas.

Rodrigo mostrou tudo publicamente.

A verdade destruiu-as.

“Estas mulheres tentaram arruinar uma pessoa bondosa só porque o meu filho a amava”, disse Rodrigo.

“Quero que a Leonor seja a minha mãe”, disse Tomás, baixinho.

Rodrigo pediu a Leonor em casamento à frente de todos.

Ela disse que sim, com lágrimas nos olhos.

As mulheres fugiram envergonhadas.

Meses depois, Rodrigo e Leonor casaram-se de forma simples. Tomás chamava-lhe “Mãe”.

Mais tarde, nasceu a filha deles.

Recordando, Leonor disse baixinho: “Cada dificuldade trouxe-me até aqui.”

E juntos, provaram que o amor não se define por estatuto, mas por bondade, verdade e coragem.

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