Não Se Case com Ela” — O Chocante Segredo Revelado por uma Criança de RuaA noiva, pálida e trêmula, arrancou o véu ao reconhecer a menina como sua filha abandonada anos atrás.6 min de lectura

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Na porta da igreja, a menina sem abrigo o parou. “Não case com ela.” E mencionou uma palavra que apenas a noiva e o advogado conheciam. A igreja parecia saída de um postal. Pedra antiga, sinos silenciosos, flores brancas alinhadas como se o mundo fosse obrigado a parecer perfeito. Lá fora, um tapete claro marcava o caminho para Guilherme Mendes, o milionário que todos vinham ver, não celebrar.

Dava para perceber nos telemóveis levantados, nos murmúrios, na forma como os convidados sorriam sem mexer os olhos. Guilherme chegou com um fato escuro impecável, o nó da gravata perfeito, o relógio caro aparecendo apenas um pouco. Caminhava como quem está acostumado a que o espaço se abra. Ao lado, dois seguranças discretos.

Atrás, uma carrinha com vidros fumados e um ramo de flores que custava mais que o aluguer de um mês de qualquer um dos que assistiam do passeio. O ar cheirava a incenso e perfume caro, e no meio de tudo isso, como uma mancha incômoda na cena, estava ela, uma menina magra, cabelo desalinhado, um casaco demasiado grande, ténis gastos.

Não devia ter mais de 11 ou 12 anos. Tinha as mãos sujas e o rosto marcado pelo sol e pela fome. Estava colada à parede, perto da porta, quase invisível, até decidir não ser. Quando Guilherme deu o último passo antes de entrar, a menina lançou-se à frente com uma urgência que não pedia licença.

“Não case com ela”, gritou. O tempo se partiu. Os convidados viraram-se como um só corpo. Ouviu-se um ai abafado, um murmúrio a crescer, o clique nervoso de vários telemóveis a gravar. Os seguranças reagiram no automático, como se a menina fosse uma ameaça armada. “Afasta-te”, disse um, estendendo o braço. Guilherme ficou parado, não por compaixão, mas por surpresa.

Essa frase não era um pedido, era uma bomba. “O quê?”, conseguiu dizer, olhando para a menina como se visse algo fora do lugar. O segurança agarrou-a pelo braço para a afastar. Ela não chorou, não suplicou, apenas segurou com a outra mão o casaco de Guilherme, puxando-o com uma força desesperada. “Não”, disse, com os olhos fixos nele.

“Se entrar, já não sai igual.” Chega, rosnou o segurança, apertando com mais força. Guilherme franziu a testa. “Larga-a”, ordenou, seco. O segurança hesitou um segundo, surpreso com a ordem, e soltou um pouco. A menina aproveitou esse pequeno alívio. “Ouça-me”, disse, engolindo o medo. “Não case com ela. É uma armadilha.” Guilherme soltou uma risada curta, incrédula, mais por reflexo que por crueldade. “Uma armadilha”, repetiu.

“O que é que tu sabes da minha vida?” A menina apertou os lábios e ergueu o olhar até aos dele sem baixar a cabeça. “Sei o que ouvi”, disse. “Sei o que eles disseram.” Guilherme inclinou-se um pouco, irritado. “Quem?” A menina apontou com o queixo para o interior, para o corredor onde se ouvia música suave e se via movimento de fotógrafos.

Ela disse, e o advogado Guilherme soltou um suspiro impaciente. Aquele dia tinha demasiada pressão, demasiadas câmaras, demasiados acordos disfarçados de amor. A última coisa de que precisava era de uma cena. “Olha, miúda”, começou, com a voz de homem que acha que pode resolver tudo com uma nota. Meteu a mão no bolso, tirou algumas notas e ofereceu-lhas sem delicadeza.

“Toma, come qualquer coisa e vai-te embora.” A menina nem sequer olhou para o dinheiro. “Não quero o seu dinheiro”, disse com uma firmeza que desconcertou vários. “Quero que não entre.” Os convidados murmuraram mais alto. Alguém disse: “Quem a deixou entrar?” Outro: “Que vergonha.” E então, como se a vida insistisse em humilhá-la ainda mais, a porta da igreja abriu-se e apareceu a noiva, Carolina Leal.

Um vestido branco impecável, sorriso estudado, maquilhagem perfeita. Caminhava com calma, como se o caos lá fora não existisse. Ao lado, uma mulher mais velha a ajustar-lhe o véu e um homem com uma pasta de couro debaixo do braço, fato cinzento, expressão fria. O advogado. Carolina olhou para a cena e sorriu suavemente, como se estivesse a assistir a um teatro barato.

“Amor”, disse com uma voz doce para a plateia. “Está tudo bem?” Guilherme sentiu o ar pesado. A menina ficou tensa ao ver Carolina. Os dedos sujos agarraram-se novamente ao casaco do milionário, como se fosse a sua última oportunidade. “É ela”, sussurrou. Carolina deu um passo delicado e olhou para a menina com uma falsa compaixão. “Pobrezinha”, disse. “Alguém pode ajudá-la? Não quero escândalos num dia tão importante.”

O segurança voltou a estender o braço. Guilherme levantou a mão. “Espera.” Carolina olhou para ele com uma sombra de irritação bem escondida. “Guilherme, não.” A menina interrompeu-o com algo que não foi um grito, mas uma palavra-chave. “Cláusula espelho”, disse, tremendo. Guilherme ficou gelado, não pela frase em si, mas porque aquela frase não era de rua, não era de parque, não era de conversas normais.

“Cláusula espelho” era um termo que ele ouvira apenas uma vez numa sala privada com o seu advogado, explicando-lhe um documento para o proteger. Guilherme virou a cabeça devagar para o homem com a pasta. O advogado não mudou de expressão, mas os olhos endureceram-se. Carolina pestanejou. O sorriso dela ficou tenso um milímetro. Guilherme sentiu um frio a percorrer-lhe as costas.

“Quem te disse isso?”, perguntou Guilherme, baixando a voz. A menina engoliu em seco, olhando para Carolina como se visse um monstro de vestido branco. “Foi ela”, sussurrou. “Ela disse, ‘Assim que ele assinar, ativamos a cláusula espelho e ele já não consegue sair.'” O murmúrio tornou-se barulho. Carolina avançou rapidamente, voz doce, mas já com gume. “Que disparate!”, disse, rindo-se. “Amor, é uma criança, está confusa. Deve ter ouvido qualquer coisa na televisão.”

O advogado limpou a garganta. “Sr. Mendes, não é momento para distrações”, disse. “A imprensa está cá fora. Os convidados.” Guilherme não olhou para os convidados, olhou para a menina e naqueles olhos sujos da rua não viu extorsão, viu urgência real. “Onde ouviste isso?”, perguntou, mais baixo, mais sério. A menina apontou com o queixo para o lado da igreja. “Na sacristia”, disse. “Ontem. Eu… eu durmo perto. A porta estava entreaberta e eles estavam a falar.”

Carolina deu mais um passo. “Ontem?”, disse. “O que fazia uma criança ali?” A menina não se encolheu. “O mesmo que faço sempre”, respondeu. “Sobreviver.” O segurança tentou agarrá-la novamente com força. Guilherme ergueu a voz, cortante. “Não a toques!” O segurança parou. Carolina apertou o sorriso e aproximou-se de Guilherme, baixando a voz como quem quer controlar sem que se note. “Guilherme, por favor, não meGuilherme olhou para a menina, depois para Carolina, e num ato de coragem inesperada, virou-se e afastou-se da igreja, levando consigo não apenas a verdade, mas também a esperança de um novo começo.

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