**A Menina que Virou Advogada**
No Tribunal da Família de Lisboa, o silêncio era denso quando uma menina de sete anos subiu ao pódio. “Sou a advogada da minha mãe”, anunciou Sofia Martins, de voz firme, segurando uma pasta cor-de-rosa cheia de papéis. O juiz Álvaro Rocha, um homem de sessenta anos com décadas de experiência, ajustou os óculos, incrédulo.
“Menina, isto não é brincadeira,” disse ele, gentil.
“Não estou a brincar, meritíssimo,” respondeu Sofia, com a seriedade de uma adulta. “Vim representar a minha mãe, a Ana Ferreira, no processo de guarda 2456-2023. O meu pai, o Ricardo Sousa, quer ficar com a minha custódia só por causa do dinheiro.”
A sala explodiu em murmúrios. O pai, um homem de terno caro, riu alto. “Isto é patético! Uma criança a brincar aos tribunais!”
O seu advogado, o Dr. António Vieira, levantou-se de repente. “Excelência, isto é um absurdo! Peço que a criança seja retirada da sala!”
Mas Sofia não se mexeu. “Segundo o artigo 28.º do Estatuto da Criança e do Adolescente, tenho direito a ser ouvida em processos que me digam respeito.”
O silêncio voltou, mas agora carregado de espanto. O juiz inclinou-se para a frente, impressionado.
“Artigo 1634.º do Código Civil,” continuou Sofia, com a precisão de quem estudou direito a vida inteira. “O poder familiar inclui cuidar da educação dos filhos. O meu pai não cumpriu esse dever durante três anos.”
O Dr. António engasgou-se. “Decorou frases da internet, meritíssimo!”
“Então posso continuar, doutor?” Sofia respondeu, educada mas firme. Abriu a pasta e tirou um telemóvel. “Gravei o meu pai a dizer que só me queria pela herança de 500 mil euros que vou receber do meu avô.”
A voz de Ricardo ecoou na sala: *”Arranja maneira de eu ficar com a guarda dela. A mãe nem sabe da herança… Essa mulher mal sabe ler!”*
A mãe de Sofia, sentada no fundo, chorou em silêncio.
“Gravação ilegal!” gritou o Dr. António.
“Segundo a Lei 83/2017, uma criança pode gravar para se proteger,” rebateu Sofia, sem hesitar.
E assim continuou, citando artigos, mostrando boletins escolares (média de 19 valores), declarações da professora, fotos da casa limpa e organizada. Prova após prova, desmontou cada mentira do pai.
No fim, olhou para o juiz e disse: “Meritíssimo, renuncio à herança. Prefiro o amor da minha mãe a um pai que só me vê como dinheiro.”
O tribunal ficou em choque.
O juiz Álvaro Rocha suspirou. “Em trinta anos de carreira, nunca vi nada assim.” E deu a sentença: guarda para a mãe, sem direito a visitas do pai.
Anos mais tarde, Sofia Martins, agora advogada formada, criou o *Instituto Criança e Justiça*, ajudando milhares de menores. A menina que um dia defendeu a própria mãe continuou a provar que, quando o amor guia uma criança, até a lei pode ser revolucionada.
*(Fim)*





