A secretária fica chocada ao reconhecer foto de infância no escritório do patrão…6 min de lectura

Compartir:

A nova secretária ficou paralisada ao ver sua foto de infância no escritório do chefe. O elevador subia rapidamente pelo edifício de vidro que refletia o céu azul de Lisboa. Catarina Almeida apertou contra o peito a pasta com seu currículo enquanto revia mentalmente todos os conselhos que a mãe lhe dera naquela manhã. Nunca estivera tão nervosa. Este emprego mudaria tudo. 35º andar. Silva & Almeida Advogados, anunciou a voz metálica do elevador.

Catarina respirou fundo, alisou sua saia preta, a única formal que tinha, e caminhou com determinação até a recepção. Seus saltos ecoavam no piso de mármole enquanto observava o luxo discreto do escritório mais prestigiado da cidade. Bom dia, sou Catarina Almeida, a nova secretária do doutor Silva, disse com uma segurança que não sentia. A recepcionista, uma mulher de meia-idade com um penteado impecável, olhou-a por cima dos óculos. Chegou bem na hora. O doutor detesta atrasos. A dona Amélia está esperando para explicar suas funções.

Catarina seguiu dona Amélia, uma senhora de rosto bondoso mas olhar astuto, por passilos onde advogados de ternos caros falavam baixo sobre casos milionários. Era um mundo completamente diferente do seu, onde cada mês era uma batalha para pagar os remédios da mãe. O doutor Silva é muito exigente, explicou dona Amélia mostrando sua mesa. Pontualidade perfeita, organização impecável e discrição absoluta. Nunca interrompa quando ele está em uma chamada importante.

Quando vou conhecê-lo? Agora mesmo está esperando para dar suas primeiras instruções. Dona Amélia baixou a voz: Não se assuste se parecer frio. É assim com todos. O escritório do doutor Henrique Silva era exatamente como Catarina imaginara: elegante, sóbrio e intimidante. Grandes janelas ofereciam vista panorâmica da cidade. Estantes de madeira escura cobriam duas paredes inteiras e uma mesa imponente dominava a sala. Por trás dela, um homem de 53 anos assinava documentos sem erguer os olhos. Seus cabelos grisalhos, perfeitamente penteados, e o terno sob medida gritavam poder e dinheiro.

Quando finalmente ergueu os olhos, Catarina sentiu um calafrio inexplicável. Eram olhos cinzentos, penetrantes e curiosamente tristes. Menina Almeida, disse com voz grave, sente-se por favor. Catarina obedeceu, notando que ele mal a olhava diretamente. Seu currículo é modesto, mas as referências da universidade são excelentes. Espero que demonstre a mesma dedicação aqui. Não a decepcionarei, doutor.

Enquanto Henrique explicava suas responsabilidades, os olhos de Catarina fixaram-se em algo sobre a mesa que lhe roubou o fôlego. Num elegante porta-retrato de prata, uma foto desbotada pelo tempo mostrava uma menina de quatro anos com vestido branco segurando um girassol. Era ela. O mundo pareceu parar. O mesmo vestido branco que sua mãe guardava numa caixa. O mesmo girassol que colhera naquele dia no parque. A mesma foto que sua mãe guardava como tesouro, idêntica, até a pequena mancha no canto.

Está ouvindo, menina Almeida? A voz do advogado trouxe-a de volta à realidade. Suas pernas tremiam sob a mesa. Desculpe, eu… balbuciou, incapaz de desviar os olhos da foto. Henrique seguiu seu olhar e seu rosto endureceu. Uma sombra de dor cruzou seus olhos. Sente-se bem? Está pálida. Catarina apontou para a foto com dedos trêmulos. Essa foto… posso perguntar quem é?

Henrique ficou em silêncio por alguns segundos. Quando falou, sua voz parecia diferente, quase quebrada. É uma foto pessoal, não tem importância… mas ele tinha e ambos pareciam saber. Pode se retirar. Dona Amélia explicará o resto. Catarina passou o resto do dia em piloto automático. Mas sua mente não saía daquela foto. Como era possível? O que sua foto fazia no escritório do homem mais poderoso da firma?

Ao chegar em casa num bairro modesto de Lisboa, encontrou sua mãe na cozinha preparando chá. Como foi, minha filha? perguntou Isabel, de 51 anos, com um sorriso que iluminava seu rosto cansado pela doença. Catarina contou sobre a foto. O copo que Isabel segurava caiu no chão, estilhaçando-se. O que disse? sussurrou, o rosto branco como papel. A foto do girassol, mãe. É igual à que você guarda.

Isabel apoiou-se na mesa como se suas pernas não a sustentassem mais. Não pode ser ele… Você conhece o doutor Silva?, perguntou Catarina, cada vez mais confusa. Isabel não respondeu. Foi até o quarto e tirou de debaixo da cama uma pequena caixa de metal. Dentro estavam seus tesouros mais preciosos: cartas amareladas, uma mecha de cabelo infantil, um anel simples de prata e a fotografia idêntica à do escritório de Henrique Silva.

Há algo que nunca te contei sobre seu pai, Catarina, disse finalmente com voz quebrada por 26 anos de silêncio. Chegou a hora de saber a verdade. A noite caía sobre Lisboa e num pequeno apartamento no subúrbio, um segredo guardado por décadas estava prestes a vir à luz, mudando para sempre a vida de todos. Catarina sentou-se na cama. Nunca vira a mãe assim, tão frágil e assustada.

Meu pai… falou com dificuldade. Sempre disse que morreu antes de eu nascer. Isabel balançou a cabeça. Era mais fácil dizer isso que explicar a verdade. Seu pai não morreu, Catarina. Seu pai… é Henrique Silva. O silêncio que se seguiu foi tão denso que parecia ter vida própria naquele quarto. Catarina levantou-se de um salto. O doutor Silva? Meu chefe? Não pode ser!

Isabel começou então a contar uma história enterrada há mais de duas décadas: como trabalhara como empregada doméstica na mansão dos Silva, o casamento arranjado de Henrique com uma herdeira rica, o romance proibido entre eles. Quando engravidou, tudo mudou. Henrique prometera divorciar-se, mas a esposa descobriu e ameaçou arruinar sua carreira. Ele escolheu o escritório em vez de nós, disse Isabel com amargura. Mas há algo que nunca lhe contei… Nunca disse que estava grávida. Tive medo.

Nos dias seguintes, enquanto trabalhava no escritório, Catarina observava Henrique com novos olhos. Havia neles algo familiar – os mesmos olhos cinzentos que vira no espelho a vida toda. Verónica, a esposa de Henrique, suspeitava de algo e começou a sabotar o trabalho de Catarina. Documentos desapareciam, encontros eram cancelados sem aviso. Henrique notou o padrão e confrontou-a: Alguém quer que você pareça incompetente… e nós sabemos quem.

A situação chegou ao auge quando Verónica contratou um investigador e descobriu a verdade. Na frente de todos no escritório, acusou Catarina e sua mãe de chantagem. Fernando mostrou então os resultados do teste de DNA: 99,9% de compatibilidade. Catarina era sua filha. A revelação abalou os alicerces do escritório. Verónica contra-atacou através da imprensa, difamando Isabel, mas Fernando e Catarina organizaram uma coletiva mostrando provas de como Verónica interceptara cartas e contratara espiões.

Com a verdade exposta, Henrique divorciou-se e reconciliou-se com Isabel, agora doente com câncer. Ele pagou seu tratamento e mudou-se para uma casa modesta em Sintra perto delas. Catarina fundou um pequeno escritório para ajudar mães solteiras, usando as ações que Henrique lhe dera da antiga firma.

Num final de tarde, os três contemplavam o jardim onde girassois cresciam vigorosos. Henrique colocara a foto antigaNo pôr do sol, enquanto os três tomavam chá na varanda, Catarina pegou a mão do pai e sorriu, finalmente em paz com seu passado e cheia de esperança para o futuro.

Leave a Comment