O Rico Voltou Sem Aviso – E o Que Viu a Babá Fazendo com os Trigêmeos o Chocou7 min de lectura

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**Diário Pessoal**

*Domingo, 12 de Novembro*

Pedro Afonso regressou a casa sem avisar. Ao abrir a porta, ficou paralisado. Beatriz brincava com os seus três filhos. Martim, Tomás e Duarte riam como nunca antes. Mas o que Pedro ouviu quando ela não sabia que ele estava ali revelou um segredo devastador. O seu punho apertou o volante do seu Mercedes preto com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

O telefone continuava a tocar no assento do passageiro, vibrando insistentemente contra o couro italiano. Era a décima chamada do seu sócio em menos de uma hora, mas Pedro não tinha intenção de atender. Pela primeira vez em quinze anos de carreira implacável, tinha tomado uma decisão que desafiava toda a lógica.

Cancelara a reunião mais importante do ano e regressara a casa a meio de uma quarta-feira comum. A estrada estendia-se à sua frente como uma fita cinzenta sob o sol da tarde. Normalmente, fazia este percurso nas noites de sexta-feira, exausto após uma semana de decisões que movimentavam milhões, negociações que determinavam o futuro de centenas de empregados. Mas hoje era diferente.

Hoje acordara no seu quarto de hotel cinco estrelas em Lisboa, com um vazio no peito que nenhum saldo bancário podia preencher. A chamada chegara às seis da manhã. A voz do seu filho Martim do outro lado da linha, pequena e trémula, dizendo-lhe que não queria que o pai se ausentasse tanto, que Tomás chorara a noite inteira, que Duarte se recusara a comer. Pedro tentara acalmá-los como sempre, prometendo presentes espetaculares no seu regresso, falando dos parques de diversões que visitariam.

Mas então Martim dissera algo que o trespassou como uma faca:

—Pai, porque é que a Beatriz nos quer mais do que tu?

Nove palavras. Bastaram para destruir a fachada perfeita que Pedro construíra cuidadosamente nos últimos dois anos.

Desde que Raquel, a sua esposa, decidira que a maternidade não era para ela, abandonando-os por uma vida de liberdade e autodescoberta num retiro em Bali, Pedro compensara a sua ausência com dinheiro – muito dinheiro. A melhor casa, os melhores brinquedos, a melhor educação e, claro, a melhor empregada doméstica que o dinheiro podia contratar.

Beatriz Santos chegara à sua vida há dezoito meses através de uma agência de emprego de elite. O seu currículo era impecável, referências brilhantes, experiência com crianças, discrição absoluta. Mas o que selara o contrato foi algo nos seus olhos durante a entrevista – uma genuína ternura que contrastava dramaticamente com a frieza eficiente das outras candidatas.

Pedro pensara que aquela calidez seria boa para os seus filhos. Nunca imaginara que aquela ternura revelaria o seu próprio fracasso como pai.

O Mercedes tomou a saída para o seu bairro exclusivo, onde as mansões surgiam entre árvores perfeitamente podadas. Pedro vivia numa das zonas mais caras da cidade, onde cada casa era um monumento ao sucesso financeiro dos seus donos. A sua propriedade ocupava metade de um quarteirão – dez mil metros quadrados de jardins desenhados por paisagistas premiados, uma piscina olímpica, um campo de ténis e uma casa de dois andares com mais quartos do que alguma vez precisariam.

Ao aproximar-se da entrada principal, notou algo invulgar. Normalmente, a casa parecia silenciosa, controlada, quase como um museu na sua perfeição. Mas hoje, mesmo da rua, conseguia ouvir algo que lhe acelerou o coração.

Risadas. Risadas infantis, desenfreadas, do tipo que sacode todo o corpo de uma criança e a deixa sem ar.

Estacionou o Mercedes na entrada circular e ficou sentado por um momento, apenas a ouvir. Quando fora a última vez que ouvira os seus filhos rirem assim? Não se lembrava. Nas últimas semanas, os poucos momentos que passava com eles antes de adormecerem eram sempre silenciosos, quase temerosos de o incomodar depois dos seus longos dias de trabalho.

Pedro saiu do carro em silêncio, deixando a sua pasta executiva no banco traseiro. Algo lhe dizia que precisava de ver o que se passava antes de anunciar a sua presença. Aproximou-se da porta principal e notou que estava ligeiramente entreaberta. As risadas tornaram-se mais altas, misturadas agora com uma voz feminina que reconheceu imediatamente como a de Beatriz.

—Puxem com mais força, meus guerreiros! Não vão deixar que uma mulher os vença!

Pedro empurrou a porta suavemente e o que viu deixou-o completamente paralisado na entrada.
O elegante hall de mármore, normalmente impecável, transformara-se num campo de batalha de brincadeiras. As almofadas do sofá de design, que custara quinze mil euros, estavam empilhadas, criando uma fortaleza improvisada. Os tapetes persas estavam desalinhados. E no meio de tudo, Beatriz e os seus três filhos estavam num épico jogo de cabo de guerra, usando o que parecia ser a sua gravata de seda Hermès de quinhentos euros como corda.

Beatriz segurava um dos lados da gravata, os pés descalços firmes no chão de mármore, inclinando-se para trás com toda a sua força. O seu uniforme de empregada doméstica, normalmente impecável, estava desarrumado, o cabelo castanho escapando-lhe do rabo-de-cavalo.

Mas o que mais chocou Pedro foi a expressão dela – pura alegria, sem reservas, sem a formalidade cuidadosa que mantinha sempre que ele estava presente.

Do outro lado da gravata, Martim, Tomás e Duarte puxavam com todas as suas forças, carinhas vermelhas do esforço, gritando instruções entre gargalhadas.

—Tomás, puxa mais forte! — gritou Martim, os seus sete anos fazendo dele o líder natural do trio.

—Estou a puxar! — respondeu Tomás, um dos trigémeos, com a mesma determinação.

Duarte, o mais novo por apenas três minutos, enrolara a gravata à volta da cintura e puxava com todo o seu peso de vinte quilos, as perninhas rechonchudas escorregando comicamente no mármore polido.

—Um, dois, três, agora! — gritou Beatriz, e deliberadamente deixou-se cair para a frente, soltando a gravata no momento perfeito para que os três meninos caíssem numa pilha de risos sobre as almofadas atrás deles.

Pedro sentiu algo estranho na garganta.

Os seus filhos rolavam sobre as almofadas, sem fôlego de tanto rirem, enquanto Beatriz se aproximava deles com as mãos no ar como um monstro de brincadeira.

—O monstro das cócegas vem buscar-vos! — rugiu ela com uma voz engraçada que fez os miúdos gritarem de antecipação.

—Não! — gritaram os três em uníssono, mas era óbvio que queriam exatamente aquilo.

Beatriz mergulhou na pilha de almofadas, fazendo-lhes cócegas aos três em simultâneo. As risadas tornaram-se quase histéricas – o tipo de riso puro que só as crianças conseguem ter, sem inibições, sem preocupações, sem nada excepto o momento presente de alegria absoluta.

Pedro encontrou-se a apoiar-se na ombreira da porta, incapaz de se mover, incapaz de anunciar a sua presença. Havia algo naquela cena tão crua, tão real, tão cheia de vida, que se sentiu um intruso na sua própria casa. Como se estivesse a observar um mundo ao qual não pertencia, um mundo onde os seus filhos eram verdadeiramente felizes.

Depois de vários minutos de cócegas e gargalhadas, as crianças finalmente desmoronaram-se, exaustas. Beatriz sentou-se ao lado deles, igualmente sem fôlego, as costas apoiadas no sofá de designer que agora estava meio desmontado.

—RendNo calor daquela tarde, enquanto abraçava os seus filhos e olhava para Beatriz, Pedro percebeu que a verdadeira riqueza não estava nos números das suas contas bancárias, mas nos sorrisos daqueles que amava, e pela primeira vez em anos, sentiu-se verdadeiramente em casa.

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