O sangue escorria pela testa de Beatriz Costa enquanto ela se arrastava pelo chão de mármol, segurando as costelas com força. O homem que deveria amá-la — seu marido, Rodrigo — estava de pé sobre ela, segurando um taco de críquete manchado com seu sangue. “Não prestas para nada”, cuspiu ele, com o olhar gelado. “A Carolina merece algo melhor do que tu alguma vez poderias dar-lhe.” Carolina — a sua amante —, a mulher que o convenceu de que Beatriz o estava a segurar.
Naquela noite, a crueldade de Rodrigo foi longe demais. Beatriz recusara-se a assinar os documentos para transferir a casa para o nome dele, e num acesso de raiva, ele brandiu o taco sem hesitar. Os vizinhos ouviram os gritos, mas ninguém se atreveu a intervir — Rodrigo era influente na vila, e as pessoas tinham medo dele. Quando tudo acabou, Beatriz estava inconsciente, o corpo coberto de hematomas, o espírito destroçado.
Mas Rodrigo cometeu um erro fatal: esqueceu-se de quem Beatriz Costa realmente era. Esqueceu-se que os seus três irmãos — Guilherme, Martim e Duarte Costa — não eram simples irmãos protectores. Eram os CEO de três das maiores empresas do país.
Quando Guilherme recebeu a chamada do hospital, a voz dele ficou gélida. “Quem fez isto à minha irmã?”, perguntou à enfermeira. No momento em que ela sussurrou o nome, ele não disse mais uma palavra.
Em questão de horas, três jatos particulares levantaram voo de Lisboa, Porto e Faro, todos a caminho do mesmo destino: a pequena vila onde Rodrigo pensava ser intocável.
Hoje percebi que o orgulho cega mais do que a raiva. E que, por vezes, a justiça não vem das leis, mas daqueles que amamos. Nunca subestimes o poder de uma família unida.





